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Candidato da autoajuda cresce com carência do eleitor 'não polarizado'

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Candidato da autoajuda cresce com carência do eleitor 'não polarizado'

Bastou uma semana de exposição na mídia para que um candidato minimamente articulado, ainda que com ideias estapafúrdias, conquistasse um lugar ao sol nas pesquisas de intenção de voto. O candidato Augusto Cury, do Avante, autor de best selleres como "O Vendedor de Sonhos", cruzou a barreira dos 10% de intenção de votos na pesquisa BTG/Nexus divulgada hoje, mostrando que o desejo por uma terceira via não pode ser ignorado.

O médico, que soma mais de 70 livros de autoajuda e ficção, acredita que com um drone e um ministério de Inteligência Artificial se combate violência doméstica e os males do Brasil. Confunde ajuste fiscal com reforma tributária e quer colocar influenciadores nas Embaixadas para vender o país no exterior. Sua subida nas pesquisas, no entanto, merece uma reflexão. O eleitor de centro está carente de alternativas.

O avanço de candidato Cury é revelador também de como o centro democrático, mais uma vez, está desperdiçando uma chance de construir uma saída efetiva para a polarização.

Segundo a mesma pesquisa, 25% dos eleitores podem ser considerados "Lulistas convictos". Eles se identificam como avessos à família Bolsonaro. Outros 28% são classificados como "Bolsonaristas convictos" (se indentificam como antilulistas). O time dos anti-Lula e anti-Bolsonaro soma 9%. Já os "Não polarizados", que "não se engajam nem com o antilulismo nem com o antibolsonarismo", são um contingente nada desprezível: somam 20% dos eleitores, segundo a mesma pesquisa BTG/Nexus.

O sempre proclamado grande estrategista da política Gilberto Kassab, que conseguiu eleger um exército de prefeitos na última eleição, escolheu mal a sua terceira via. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), ambos antilulistas que se apresentam como uma alternativa ao bolsonarismo, não saem do lugar nas pesquisas e estão embolados na lanterna com o influenciador Renan Santos (Missão). O influenciador atrai eleitores nem nem - nem Lula nem família Bolsonaro -, mas repele os mais 'centrados' (ou talvez mais pacifistas) com sua comunicação estridente e propostas beligerantes como a da fabricação da bomba atômica.

Talvez Kassab não quisesse emplacar um candidato com chance de vitória, mas apenas angariar forças para se aliar ao potencial vencedor, como vem fazendo o centrão desde a democratização. Preterido entre os três candidatos da lista tríplice de Kassab, o ex-tucano Eduardo Leite talvez fosse o nome com mais capacidade de angariar a simpatia daqueles eleitores que a pesquisa classifica como "não polarizados".

Ah, o Brasil não está preparado para um candidato gay. O Brasil tampouco estava preparado para um candidato operário na década de 1990 — mas até água mole em pedra dura, de tanto bater, fura. Após Lula disputar três eleições, o Brasil não só se mostrou preparado para um candidato da esquerda operária, como Lula segue no poder, liderando as pesquisas para um possível quarto mandato e tendo eleito uma sucessora nesse meio tempo.

Uma ideia nova precisa de tempo para ser assimilada.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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