Entenda divergências entre governo e mercado sobre orçamento de 2027
O governo federal apresentou na última segunda-feira (31) o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, com previsão de R$ 2,83 trilhões em despesas primárias, R$ 3,459 trilhões em receitas e superávit primário de R$ 18,6 bilhões , equivalente a 0,13% do PIB.
A analista de Economia Débora Oliveira destacou que a peça orçamentária é uma previsão e não representa dinheiro em caixa.
Segundo ela, o ponto central de divergência entre o governo e o mercado financeiro está na projeção de crescimento econômico .
“O governo prevê uma atividade econômica de 2,46% no ano que vem, que seria um PIB maior do que está sendo previsto para esse ano”, afirmou Débora durante o Live CNN desta terça-feira (1º).
PIB surpreende, mas peso dos juros mostra perda de força, dizem analista IBGE: Consumo das famílias cai 0,4% no 2º trimestre de 2026 Análise: Projeção do PIB no PLOA é "peça de ficção" Já o mercado projeta um crescimento de apenas 1,5% , um ponto percentual abaixo da estimativa oficial, em razão dos efeitos defasados da taxa básica de juros elevada sobre a economia.
“Para chegar nesse superávit, o governo precisa bater um PIB para conseguir manter a arrecadação lá em cima e conseguir sobrar esse dinheiro”, explicou Débora.
Ela ressaltou que o superávit previsto representa uma margem muito estreita : proporcionalmente, seria como economizar menos de 60 centavos a cada R$ 100 gastos .
“Qualquer erro de cálculo, e que a gente não tenha esse ‘pibão’ que o governo está esperando, a gente não tem aquele superávit que está sendo dado”, alertou a analista.
Despesas obrigatórias Débora também chamou atenção para a rigidez do orçamento .
Das despesas previstas, cerca de R$ 2,5 trilhões correspondem a gastos obrigatórios, como previdência social, BPC e salários , que não podem ser facilmente cortados.
As chamadas despesas flexíveis, que incluem investimentos, obras e custeio , somam apenas R$ 266 bilhões .
“Isso significa que 9 em cada 10 reais já estão comprometidos antes mesmo de qualquer decisão de gestão”, explicou a analista.
A analista pontuou que o aumento do salário mínimo, embora não seja algo a ser questionado em si, traz um efeito em cadeia sobre o orçamento ao indexar benefícios como o BPC à mesma correção.
“O orçamento engessado dessa forma engessa quem estiver lá no governo, seja esse governo ou qualquer outro que venha a assumir, independente do resultado das eleições “, disse Débora.
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