Para onde foram os bilhões de reais do vencimento de títulos do Tesouro?
O vencimento de cerca de R$ 258 bilhões em títulos atrelados à inflação, o maior de indexados em anos, despejou uma montanha de dinheiro no mercado recentemente.
No entanto, o fluxo desse montante deixou poucos rastros no mercado.
Não houve movimentos atípicos de preços, e as leituras de gestores sobre o destino dos recursos é de que, em boa medida, eles foram para ativos de liquidez diária - também conhecidos como "caixinhas", na linguagem do mercado.
O sinal mais nítido apareceu na demanda pelos próprios títulos atrelados à inflação, que tiveram o maior leilão desde abril e viram as taxas recuarem, com o Tesouro IPCA+ 2032 abaixo de 8% ao ano (juros reais, descontada a inflação) pela primeira vez desde junho.
Apesar de maior do que os anteriores, os leilões ofertaram cerca de R$ 5,2 bilhões em títulos que seguem a inflação - ou seja, muito pouco frente ao vencimento de centenas de bilhões.
Fluxos difíceis de medir No mercado de crédito, o efeito foi mais publicitário do que observável nos preços dos ativos, apontou Daniel Palaia, diretor de investimentos de crédito da Asset1.
Os grandes distribuidores lançaram campanhas para capturar a liquidez, com produtos estruturados (COEs) atrelados a risco soberano e estreias de fundos listados de infraestrutura e do agronegócios.
É possível dizer, na avaliação de Palaia, que parte do dinheiro migrou para fundos de crédito de liquidez diária, usados para estacionar o caixa antes de uma decisão de alocação.
O efeito sobre os juros adicionais pagos por esses papéis foi positivo, mas difícil de mensurar.
Por outro lado, praticamente não se viu impacto em fundos de infraestrutura ou em isentos, a não ser de forma residual em nomes tratados como risco soberano, como Petrobras e Vale.
A falta de rastros é um sinal de que o mercado se antecipou ao vencimento e recompôs a carteira antes do evento do vencimento, observou Ricardo Espindola, superintendente de renda fixa da Porto Asset.
Na data e nos dias seguintes, não houve movimentos atípicos.
Na semana anterior, o fluxo já seguia principalmente os atrelados à inflação, puxado pelos fundos indexados, com alguma migração para títulos que acompanham a Selic, outro sinal de que parte dos investidores deixou dinheiro em caixa.
O rastro mais evidente em atrelados à inflação Boa parte do volume estava com investidores institucionais e teve destino quase automático.
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