Sem apoio da China, ministros do G20 aprovam texto que pede livre navegação em Ormuz
Os ministros das Finanças do G20, com exceção da China, concordaram sobre a necessidade de uma “navegação livre, segura e previsível” no Estreito de Ormuz, conforme a declaração divulgada ao fim da cúpula na cidade de Asheville, Carolina do Norte, nos Estados Unidos, na terça-feira (01/09).
Apesar das objeções de Pequim ao tema, o comunicado da Presidência do grupo mencionou preocupação com as “interrupções contínuas no comércio de energia”. O texto ainda enfatiza que a “navegação livre, segura e previsível pelo Estreito de Ormuz e em nível global, bem como a resolução de guerras e conflitos em curso, são essenciais para sustentar um crescimento duradouro”. A via navegável foi bloqueada pelo Irã em resposta à guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o país, em 28 de fevereiro.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, expressou “profundo pesar” pela nota divulgada e afirmou que a nação asiática “atribui grande importância ao papel do G20 como o principal fórum de cooperação econômica internacional”.
Ao todo, a delegação chinesa registrou objeções a quatro dos 17 parágrafos do texto final. Dois dos pontos rejeitados pelo país asiático tratam da necessidade de “reduzir a dependência excessiva das exportações” e corrigir supostas “distorções econômicas”. Este tema está entre as principais críticas feitas pelos Estados Unidos à política econômica chinesa, que acusam que Pequim subsidia propositalmente a exportação de produtos para prejudicar a indústria de outras nações.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anfitrião do encontro, destacou que todos concordaram em discutir as exportações baratas e a proteção de suas economias, mas que a China foi a única contrária. Ele sugeriu ainda que os participantes sigam o exemplo do presidente Donald Trump ao explorar medidas para corrigir desequilíbrios comerciais. Entre as possibilidades citadas, está a imposição de tarifas a países que apresentam balança comercial muito superavitária, como no caso chinês.
Os ministros das Finanças do G20, com exceção da China, concordaram sobre a necessidade de uma “navegação livre, segura e previsível” no Estreito de Ormuz X/MOFE KOREA
Segundo Jiakun, Pequim tem participado “ativa e construtivamente” das discussões sobre questões fundamentais por meio de diversos canais desde que Washington assumiu a liderança do G20 para 2026. De acordo com o porta-voz, o objetivo é aprofundar a coordenação de políticas macroeconômicas, melhorar a governança econômica global e fomentar o crescimento da economia mundial.
“O G20, como principal plataforma para a cooperação econômica internacional, deve coordenar as principais questões econômicas globais de maneira objetiva, justa e equilibrada, com base em consultas e participação equitativa.
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