A fragilidade de uma bolsa sem suportes e a busca por abrigo no dólar
Se o dia após a tempestade costuma ser de calmaria, na bolsa brasileira ele trouxe apenas o eco do tombo da véspera.
Após atingir o menor nível desde janeiro e refém da perda de suportes, o Ibovespa ficou sem fôlego para ensaiar uma recuperação nesta quarta-feira (12).
O índice ampliou a sequência de perdas com um recuo discreto de 0,2%, aos 167.491 pontos, aumentando o prejuízo acumulado em agosto para 5,90%.
Ao perder de uma só vez as barreiras dos 172.200 e dos 168.100 pontos na última sessão, o Ibovespa rompeu dois suportes importantes, segundo análise técnica do Itaú BBA.
O estrago levou embora o piso dos 168 mil pontos, atirou o índice no menor nível desde janeiro e carimbou uma clara tendência de baixa.
O tombo recente ganha contornos ainda mais amargos quando comparado com o cenário externo.
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI) de julho veio dentro do previsto, aliviando os rendimentos dos títulos americanos (Treasuries) e abrindo espaço para uma sessão positiva em Nova York.
O detalhe é que o otimismo de Wall Street não foi generalizado - foi movido pelo apetite por ações de tecnologia ligadas à inteligência artificial.
Enquanto o dinheiro corre para inflar as teses do futuro, a bolsa brasileira segue acorrentada aos pilares da "velha economia", estruturada sob o peso de commodities e bancos, mas desprovida de ativos focados em inovação.
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