O que o Brasil ganha e o que arrisca ao acionar lei para revidar 'tarifaço' dos EUA?
A decisão do governo brasileiro de iniciar o processo que pode resultar em medidas de reciprocidade econômica contra o tarifaço dos Estados Unidos pode reforçar a posição do país nas negociações comerciais com Washington, mas também tem potencial de desencadear uma escalada de tensões que pode afetar a economia brasileira, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.
O governo deu os primeiros passos para usar os instrumentos previstos na chamada Lei da Reciprocidade Econômica — um novo mecanismo da legislação brasileira para disputas comerciais — segundo um comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto na quinta-feira (13/8).
Nesta sexta-feira (14/8), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil iniciou o processo para mostrar que Brasil "não é pouca coisa" e precisa "vencer os Estados Unidos pela narrativa".
"O que eu tenho? A verdade. A minha consciência e a verdade do meu povo. Eu já disse, com mentiras ninguém ganha do Brasil. E eu vou vencer os Estados Unidos pela narrativa. Eles taxaram o Brasil com base em mentiras", afirmou.
"Eu quero manter uma boa relação com os Estados Unidos (...). Ontem [quinta], entramos com a Lei da Reciprocidade para mostrar que a gente não é pouca coisa", emendou.
O próximo passo é uma análise formal por autoridades brasileiras para entender se o tarifaço dos EUA contra exportações brasileira está enquadrado na Lei de Reciprocidade — e se o governo poderá adotar as respostas previstas na legislação.
Ou seja, o Brasil não está — ao iniciar esta consulta — dando início imediato a retaliações.
Analistas destacam que o processo ainda deverá passar por etapas como consulta pública e avaliação da Câmara de Comércio Exterior (Camex), podendo se arrastar até depois das eleições de outubro.
Ainda assim, alertam para a possibilidade de uma nova reação por parte dos Estados Unidos.
Para Oliver Stuenkel, pesquisador da Universidade Harvard e do Carnegie Endowment for International Peace e professor da FGV, a imprevisibilidade do governo de Donald Trump e o contexto eleitoral dificultam antecipar qual seria a resposta americana, mas tentativas de intervenção no pleito de outubro não devem ser descartadas.
"A curto prazo, não acho que uma resposta dura por parte dos Estados Unidos seja o cenário mais provável", diz. "Mas, mesmo sem a ativação da Lei de Reciprocidade, o governo americano podetomar medidas para tentar influenciar o processo eleitoral."
"Não é uma situação sem riscos, mas não reagir também apresenta risco."
Já a economista e professora do Insper, Juliana Inhasz, acredita que uma reação comercial por parte de Washington não é improvável.
"A economia americana, sob o mandato de Trump, tem se mostrado muito reativa e, em alguns momentos, bastante proativa em se posicionar diante de qualquer ameaça", afirma.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bbc.com — o conteúdo pertence a BBC News Brasil.