Bom para Lula? Felipe Nunes, da Quaest, fala de “calcificação” na eleição
A mais recente rodada de pesquisas estaduais e consolidadas conduzida pelo instituto Quaest joga luz sobre um fenômeno político que veio para ficar e que deve ditar o tom da corrida presidencial de 2026: a chamada calcificação eleitoral .
Em artigo assinado e publicado no portal g1 , o cientista político e CEO da Quaest, Felipe Nunes, traçou um raio-x detalhado do comportamento do eleitorado brasileiro.
O diagnóstico principal é o de um país profundamente polarizado e com movimentos extremamente estreitos entre os blocos, um quadro de forte estabilidade no qual o cenário nacional se move dentro de trilhos já bastante conhecidos.
Felipe não afirma favoritismo de Lula, mas ao olhar com lupa sua ampla análise essa interpretação parece bastante possível.
Embora a palavra de ordem da análise seja o equilíbrio e a ausência de uma “onda nacional” para qualquer um dos lados, uma leitura atenta e estruturada dos números revela que, no frigir dos ovos, a manutenção dessa rigidez joga a favor do atual ocupante do Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em um cenário onde quase nada sai do lugar, quem já detém a cadeira presidencial e preserva intactas as fundações da vitória de 2022 entra na disputa sob condições marcadamente mais confortáveis.
O “ piso de ferro ” no Nordeste e a resiliência do mandato O ponto de partida para compreender a vantagem estrutural de Lula está no ajuste de denominador feito por Felipe Nunes para comparar as intenções de voto atuais com os dados de 2022.
Quando se analisa o universo sobre o total de eleitores aptos (considerando brancos, nulos e abstenções), constata-se que o presidente permanece dentro da margem de erro do seu desempenho passado em 16 das 25 unidades da Federação analisadas.
Em outras cinco, apresenta crescimento.
Ou seja: em mais de 80% dos estados pesquisados, Lula manteve ou ampliou seu patamar histórico.
O grande motor dessa sustentação continua sendo o Nordeste, que se reafirma como o principal e mais inabalável pilar eleitoral do petista.
Na Bahia, Lula consolida 53% das intenções de voto no cenário geral; em Pernambuco, alcança 54% (três pontos percentuais acima do total obtido no pleito de 2022 sobre o total de aptos); e no Rio Grande do Norte, salta de 49% para impressionantes 54%.
O movimento indica que, longe de demonstrar desgaste após quatro anos de gestão, a liderança lulista na região se fortalece e atua como uma fortaleza inexpugnável.
Para a matemática da eleição nacional, a preservação dessa vantagem regional é o trunfo decisivo.
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