Revitalização rural e direitos humanos: a dignidade material na experiência chinesa
Desde que me mudei para Beijing, em novembro de 2025, uma das perguntas que mais recebo sobre a China diz respeito aos direitos humanos. Quase sempre, a questão vem pela lente ocidental, marcada por debates sobre liberdades civis, imprensa, eleições e relação entre indivíduo e Estado. Mas, para entender o tema na chave chinesa, é preciso começar por outro lugar: pelo modo como a própria China define direitos humanos.
Na visão chinesa, direitos humanos não aparecem primeiro como uma ideia abstrata, mas como vida concreta. Comer bem, morar com dignidade, estudar, ter acesso à saúde, circular por boas estradas, ter renda, trabalho, segurança, internet, escola para os filhos e perspectiva de futuro também são direitos humanos. É uma concepção ligada ao direito ao desenvolvimento, à soberania e à ideia de que não existe dignidade real sem base material.
É a partir dessa chave que quero olhar para a revitalização rural. À primeira vista, ela pode parecer uma política de infraestrutura, agricultura ou planejamento territorial. Mas, depois de eliminar a pobreza extrema, a China passou a enfrentar outro desafio: garantir que o desenvolvimento chegue ao campo de forma estável, para que as pessoas possam viver, produzir e prosperar em seus próprios territórios.
Revitalização rural, portanto, não é só estrada, ponte, internet ou modernização agrícola. É também uma política de dignidade.
Antes de falar em revitalização rural, vale lembrar de onde a China partiu. Em junho de 2021, ano do centenário do Partido Comunista da China (PCCh), o Gabinete de Informação do Conselho de Estado divulgou o livro branco O Partido Comunista da China e a Proteção dos Direitos Humanos — Uma Jornada de 100 Anos .
A partir de 1949, com a fundação da República Popular da China, o país iniciou uma transformação profunda. A China daquele momento ainda carregava as marcas de décadas de guerra, ocupação estrangeira, fome, fragmentação política, pobreza extrema, analfabetismo em massa, baixa expectativa de vida e uma estrutura de saúde muito limitada para a escala da população.
Esse ponto de partida ajuda a entender por que, na experiência chinesa, direitos humanos passaram a ser pensados a partir das condições materiais da vida. Antes de qualquer abstração, era preciso garantir sobrevivência, alimentação, saúde, educação, renda, infraestrutura e desenvolvimento.
É desse chão histórico que nasce uma ideia central para entender a China contemporânea: proteger direitos humanos também significa transformar concretamente a vida de um povo.
Em 2016, o governo chinês publicou “ O Direito ao Desenvolvimento: Filosofia, Prática e Contribuição da China ”, uma das chaves para entender sua visão sobre direitos humanos.
A ideia central é simples: para a China, o direito ao desenvolvimento é um direito humano fundamental. Não há dignidade concreta sem comida, moradia, trabalho, saúde, educação, segurança, renda, transporte, cultura, meio ambiente e perspectiva de futuro.
Essa visão nasce da própria história chinesa. Entre 1840 e 1949, o país viveu invasões estrangeiras, guerras, instabilidade, pobreza extrema e uma condição semicolonial e semifeudal.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.