Candidato de Tarcísio ao Senado ataca Marina e Tebet por não serem de SP
O uso do regionalismo como arma de combate eleitoral voltou ao centro do debate político paulista neste sábado (29), escancarando uma aparente amnésia seletiva no grupo que comanda o Palácio dos Bandeirantes.
Durante um ato público na Zona Oeste da capital, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e postulante ao Senado pelo PL, André do Prado, mirou suas artilharias contra as adversárias Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede), questionando o vínculo territorial de ambas com o eleitorado local.
Diante da militância reunida na Vila Leopoldina, o parlamentar alegou que a representação paulista no Congresso Nacional exige figuras umbilicalmente ligadas às demandas regionais.
Ao lado de seu companheiro de chapa, Guilherme Derrite (PP), Prado buscou desqualificar as trajetórias das concorrentes sob o argumento de que elas teriam raízes consolidadas em outras unidades da federação.
A investida, no entanto, esbarra na própria genealogia política do grupo que suporta a candidatura.
O principal cabo eleitoral de André do Prado, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), presente no mesmo palanque, é natural do Rio de Janeiro e construiu praticamente toda a sua trajetória profissional e pessoal entre a capital fluminense e Brasília.
Sua transferência de domicílio eleitoral para São Paulo ocorreu de maneira artificial e casuística, impulsionada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para viabilizar um palanque estratégico na região Sudeste.
Mesmo sem raízes históricas no estado, o atual chefe do Executivo paulista já havia vocalizado restrições semelhantes em julho, acusando as candidatas da chapa de esquerda de migrarem de praça após revezes políticos em seus estados de origem, o Acre e o Mato Grosso do Sul.
A provocação rendeu resposta imediata de Tebet, que relembrou o episódio em que Tarcísio precisou indicar um endereço de terceiros para homologar sua candidatura e ironizou até o clube de futebol de preferência do governador fluminense.
A estratégia de focar no sotaque e na certidão de nascimento das adversárias coincide com a consolidação de um cenário desfavorável nas pesquisas de intenção de voto.
Conforme dados apurados pelo Datafolha em 21 de agosto, Simone Tebet e Marina Silva lideram a corrida senatorial com 12% dos votos cada, enquanto André do Prado aparece logo atrás com 10%, seguido por Derrite, que pontua 7%.
Ao tentar emplacar o bairrismo como critério de avaliação eleitoral, a chapa governista acaba por tropeçar no próprio espelho.
A narrativa que tenta deslegitimar a presença de lideranças nacionais no colégio eleitoral paulista desconsidera que a própria chegada do governador ao poder dependeu, em primeiro lugar, da condescendência do eleitorado com um candidato sem laços originais com o estado de São Paulo.
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