MP aponta que ex-secretário e marido de Suéllen Rosim preso atuava como 'figura política' de grupo que fraudava concessão do lixo em Bauru
Ex-secretário Renato Purini é preso em Bauru por suspeita de fraude na concessão do lixo As investigações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apontaram que Renato Purini, ex-secretário municipal de Governo e marido da prefeita de Bauru (SP), Suéllen Rosim (PSD), era a “figura política” de que a organização criminosa precisava para garantir a aprovação do projeto de concessão do lixo e atender aos interesses do grupo.
A informação consta no documento do MP-SP que fundamentou a prisão preventiva de Purini e ao qual a TV TEM teve acesso.
A prisão ocorreu nesta sexta-feira (16), durante uma nova fase da Operação Cavalo de Troia, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Segundo as investigações, mensagens interceptadas indicam que Purini teria recebido pagamentos da empresa Estre Ambiental para articular apoio político e influenciar os bastidores da votação do projeto na Câmara Municipal.
De acordo com o Ministério Público, os supostos repasses a Purini eram feitos por meio de um intermediário, numa tentativa de ocultar a origem e a finalidade do dinheiro.
A Estre transferia valores ao advogado Marcos Libanore Caldeira sob a justificativa de pagamentos por serviços jurídicos.
Depois, segundo a investigação, o advogado repassava as quantias ao ex-secretário.
LEIA MAIS Gaeco apreende documentos na prefeitura de Bauru em investigação sobre fraude na licitação do lixo Vídeo mostra momento em que secretário e marido da prefeita de Bauru é levado durante operação contra fraudes em licitação Marido da prefeita de Bauru, secretário de Governo é preso em casa durante operação que investiga fraude em licitação Em uma das conversas interceptadas, em 2025, Purini enviou o contato do advogado à então secretária municipal do Meio Ambiente, Cilene Chabuh Bordezan, e reclamou que ninguém havia procurado o defensor.
Cilene encaminhou a mensagem ao CEO da Estre Ambiental, Hamilton Libório Agle, que se identificou como amigo do marido da prefeita e marcou um encontro com o advogado.
Renato passa o contato do advogado para Cilene Chabuh Bordezan e cobra o fato de ninguém ter falado com o defensor até aquele momento.
TV TEM/Reprodução A investigação identificou que a Estre chegou a emitir uma nota fiscal de R$ 750 mil para o escritório do advogado.
Para o Gaeco, há indícios de que o pagamento não foi um episódio isolado, mas parte de uma remuneração recorrente que teria como destinatário final Purini.
Em outra conversa, o ex-secretário teria cobrado um valor adicional de R$ 90 mil.
Segundo os investigadores, Purini e Cilene usavam expressões relacionadas a honorários advocatícios para disfarçar a natureza dos pagamentos.
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