Depois do software, Índia quer descer da nuvem para o chão de fábrica
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A Índia está à procura de seu chão de fábrica. O país que se tornou uma potência mundial em sistemas nas últimas décadas, exportando programadores e engenheiros para o Vale do Silício, nos Estados Unidos, agora tem que dar fim a uma lacuna básica de sua indústria . É preciso fabricar mais coisas.
O caminho das Índias para a manufatura percorre uma rota inversa àquela trilhada pela China , sua grande rival. Os chineses viraram o tabuleiro econômico do planeta ocupando fábricas, montando produtos baratos e até vendendo bonecos do Mickey dentro da própria Disney, tudo para absorver uma horda de centenas de milhões de trabalhadores que deixavam o campo.
De degrau em degrau, os chineses ergueram uma cadeia industrial que hoje chega aos carros elétricos, semicondutores, robôs e inteligência artificial . A Índia pulou boa parte dessa escada.
O país ganhou projeção internacional pelo conhecimento, tornou-se o escritório de serviços do planeta, especializado em tecnologia da informação e exportador de mentes ocupadas em pensar o mundo uma década à frente para empresas como Microsoft e IBM, entre outras.
No mundo dos bits, a Índia passou a vender software e serviços empresariais para qualquer lugar do globo sem ter de colocar uma única caixa dentro de um navio. Chegou o momento, porém, de descer dessa nuvem para a fábrica.
Os números do governo indiano mostram o tamanho do buraco que a indústria tem de preencher. Em 2025, 43% dos trabalhadores do país ainda estavam na agricultura , enquanto a manufatura empregava apenas 12% da população.
O governo tem reagido. As fábricas estão produzindo mais, mas ainda ocupam pouco espaço na economia indiana. A manufatura cresceu 10,7% no ano passado, mais que a economia como um todo. Mesmo assim, respondeu por apenas 15% da atividade econômica, praticamente a mesma participação de três anos atrás.
"Para passar de uma economia de US$ 5 trilhões nos próximos anos para US$ 30 trilhões até 2047, estamos conscientes de que precisaremos de mais capacidade de manufatura, injeção de tecnologia na nossa economia e qualificação da nossa população", diz Sudhakar Dalela, secretário de relações econômicas do Ministério das Relações Exteriores da Índia.
O plano não é abandonar aquilo que está indo bem, mas usar a capacidade tecnológica para construir o que ainda falta. Não se trata de trocar software por indústria, mas de encaixá-los dentro da mesma engrenagem.
Semicondutores são um exemplo claro. Mais do que trabalhar no desenho e desenvolvimento de chips, o país busca a etapa física da cadeia, o que exige fábricas, minérios, equipamentos, fornecedores, energia e bilhões em investimento.
"O foco central hoje está na transição direta para a fabricação de componentes eletrônicos e chips", diz Vaishali Sahni, diretora para América Latina e Oceania da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Índia.
A resposta do primeiro-ministro, Narendra Modi, ao desafio veio na forma de um pacote de incentivos e desregulamentação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.