Telenfermagem: como a tecnologia está ampliando a atuação dos profissionais
Foto: Freepik/divulgação Elaine Demuner é enfermeira especialista e preceptora do colegiado de enfermagem da FAESA.
Há quase 20 anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem incentivando o uso da tecnologia para tornar o atendimento à saúde mais ágil e acessível ao redor do mundo, e o Brasil não ficou de fora desse movimento.
Nos últimos anos, o Ministério da Saúde investiu na Estratégia de Saúde Digital para levar mais tecnologia ao Sistema Único de Saúde (SUS), facilitando o acesso das pessoas a cuidados mesmo à distância por meio da telessaúde.
Foi dentro desse movimento que, na pandemia de Covid-19, houve uma expansão desta transformação que já estava em curso na enfermagem.
Diante da alta demanda nos serviços de saúde, os profissionais passaram a usar a tecnologia para manter a continuidade da assistência de forma remota, evitando a exposição de pacientes e profissionais a riscos de contágio.
Nasceu daí a telenfermagem, com respaldo ético e legal já em 2020, com a Resolução COFEN (Conselho Federal de Enfermagem) nº 634, que autorizou a teleconsulta de enfermagem durante a pandemia.
Em 2022, com a Resolução COFEN 696/22, a prática foi normatizada de forma definitiva, regulamentando a atuação da enfermagem na saúde digital no SUS e, também, na saúde suplementar e privada, incorporando consulta, interconsulta, consultoria, monitoramento e educação em saúde.
Na prática, isso significa que consultas e orientações pré-operatórias e pós-operatórias puderam ser feitas remotamente, com o profissional de Enfermagem orientando sobre preparo cirúrgico, cuidados com curativos, sinais de alerta e retomada das atividades após a alta, além de se antecipar frente a possíveis complicações, tudo isso com o paciente no conforto da sua casa.
O monitoramento a distância de pacientes crônicos é outra frente em expansão: por meio de aplicativos e plataformas de telessaúde, o enfermeiro acompanha indicadores como pressão arterial e glicemia, intervindo antes que um quadro se agrave.
Instituições voltadas ao público idoso já estruturaram equipes dedicadas ao atendimento remoto, oferecendo suporte contínuo, aumentando assim a adesão do paciente ao tratamento e este é um modelo em ascensão diante do envelhecimento da população.
Esse cenário também amplia as oportunidades profissionais.
Operadoras de saúde, hospitais com ambulatórios virtuais e startups de saúde digital buscam enfermeiros capacitados, enquanto crescem as possibilidades de atuação em gestão, ensino, pesquisa e telessaúde.
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