Greve nos bares dos comboios mantém adesão de 95% ao 4.º dia
"A greve continua a registar uma forte adesão, atingindo 95% nesta manhã, com a generalidade dos comboios de longo curso a circularem, pelo quarto dia consecutivo, sem serviço de refeições e bar a bordo", lê-se num comunicado divulgado hoje pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul.
A agência Lusa tem vindo a tentar, sem sucesso até ao momento, ouvir a administração da Itau, empresa que desde de abril de 2025 explora o serviço de refeições dos bares dos comboios Alfa Pendular e Intercidades.
Os trabalhadores dos bares dos comboios de longo curso da CP iniciaram na segunda-feira uma nova greve, por tempo indeterminado, em defesa dos direitos previstos no Acordo de Empresa (AE) por parte da Itau.
O sindicato acusa a empresa de se "recusar, desde o primeiro dia, a respeitar direitos consagrados no AE aplicável aos trabalhadores" e, mais recentemente, de ter agravado o conflito ao "deixar de pagar os 22 dias de subsídio de alimentação previstos no acordo e passar apenas a pagar os dias efetivamente trabalhados".
Na terça-feira, os trabalhadores realizaram uma concentração junto do Ministério das Infraestruturas e da Habitação e da Secretaria de Estado da Mobilidade, exigindo "a intervenção do Governo na resolução do conflito, nomeadamente junto da administração da CP, para que esta intervenha junto da empresa concessionária no sentido de que cumpra as suas obrigações".
Segundo avança o sindicato, uma delegação de trabalhadores foi então recebida pela chefe de gabinete da secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Dias, que "assumiu o compromisso de promover ainda uma reunião com a secretária de Estado".
"Este conflito, originado pelo incumprimento da concessionária, lesa severamente os rendimentos mensais dos trabalhadores, mas também prejudica os utentes e passageiros da CP, que, em consequência das greves realizadas desde 2025, se veem muitas vezes impedidos de aceder ao serviço de bar e refeições a que contratualmente têm direito quando compram o seu passe ou bilhete de viagem", salienta o sindicato.
Para a estrutura sindical, "não é aceitável que os trabalhadores sejam prejudicados nos seus direitos e rendimentos, enquanto os passageiros são privados de um serviço que integra as condições da sua viagem", pelo que "o Governo e a empresa pública CP não podem continuar a colocar-se à margem do conflito, devendo assumir as suas responsabilidades e intervir ativamente na procura de uma solução que permita pôr-lhe termo".
Com a greve, os trabalhadores exigem o cumprimento integral do AE, a reposição do pagamento correspondente a 22 dias de subsídio de alimentação, aumentos salariais "justos" com retroativos a janeiro, a atualização das cláusulas de expressão pecuniária, condições de trabalho "dignas para os trabalhadores a bordo e de terra" e a negociação e assinatura de um novo AE com a Itau.
Em 2025, os trabalhadores dos bares dos comboios cumpriram já 18 dias de greve em defesa do AE e, em 2026, têm mantido a luta através de uma greve aos feriados, fins de semana e ao trabalho extraordinário.
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