Sustentabilidade: Evitar contradições e aumentar ambição
A sustentabilidade deixou há muito de ser uma preocupação exclusivamente ambiental.
Hoje é uma questão económica, social, energética e de segurança.
A questão essencial é saber se essa centralidade é efetiva ou se, demasiadas vezes, continua a ser apenas um adereço conveniente, citado com frequência, mas nem sempre traduzido em decisões coerentes.
Portugal mudou.
Encerrámos a produção de eletricidade a carvão, expandimos as energias renováveis, melhorámos a qualidade da água, avançámos na eficiência energética, na proteção de habitats e espécies e na economia circular.
A União Europeia, com o Pacto Ecológico Europeu, estabeleceu uma visão ambiental, climática e económica sem precedentes.
Mas a sustentabilidade em Portugal continua marcada por contradições profundas.
Reduzimos emissões em alguns setores, mas a mobilidade permanece excessivamente dependente do automóvel e dos combustíveis fósseis.
Falamos de economia circular, mas continuamos a enterrar demasiados resíduos e a desperdiçar materiais que deveriam voltar à economia.
Reconhecemos a importância da água, mas adiamos uma gestão mais prudente, eficiente e justa deste recurso.
Defendemos a biodiversidade, mas mantemos fortes pressões sobre o solo, o litoral, as florestas e os ecossistemas naturais.
E insistimos, demasiadas vezes, em grandes obras e respostas de curto prazo, quando o país precisa de planeamento, prevenção e sobriedade.
A sustentabilidade não pode ser confundida com crescimento sem limites, nem com a simples substituição tecnológica de consumos insustentáveis.
A transição ecológica também só será aceite se for justa, protegendo os mais vulneráveis e melhorando o bem-estar e a qualidade de vida.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.