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Greve dos trabalhadores dos bares dos comboios com adesão de 95%

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Greve dos trabalhadores dos bares dos comboios com adesão de 95%

"A esmagadora maioria dos comboios partiram sem bar a bordo. Aliás, diria mesmo que a novidade seria ter comboios com bares a funcionar, porque a adesão é massiva", afirmou à agência Lusa Luís Baptista, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul.

A agência Lusa tentou, sem sucesso, ouvir a administração da Itau, empresa que desde de abril de 2025 explora o serviço de refeições dos bares dos comboios Alfa Pendular e Intercidades.

Segundo o responsável sindical, "no Porto a greve está muito próxima dos 100%, é praticamente total", enquanto em Lisboa a adesão está "perto dos 90%" e "só não é praticamente total porque há mais trabalhadores com contratos de trabalho mais precários, que têm medo de aderir nesta fase".

"Juntando a adesão do Porto em Lisboa, falamos de uma adesão nacional de 95%", salientou Luís Baptista, considerando tratar-se de "mais uma grande prova de luta e de unidade" dada pelos trabalhadores em defesa dos seus direitos.

Os trabalhadores dos bares dos comboios de longo curso da CP iniciaram hoje uma nova greve, por tempo indeterminado, em defesa dos direitos previstos no Acordo de Empresa (AE) por parte da Itau.

Acusando a empresa de se "recusar, desde o primeiro dia, a respeitar direitos consagrados no AE", o sindicato refere que, "mais recentemente, agravou o conflito" ao passar ao "deixar de pagar os 22 dias de subsídio de alimentação previstos no acordo e passar apenas a pagar os dias efetivamente trabalhados".

Relativamente às reuniões "reiteradamente" pedidas desde "há vários meses" ao Governo, o sindicato diz continuar sem obter qualquer resposta, pelo que na terça-feira os trabalhadores irão concentrar-se frente à secretaria de Estado da Mobilidade "para exigir que seja marcada a reunião pedida à tutela".

A Federação dos Sindicatos da Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (Fesaht) e o Sindicato de Hotelaria do Sul, afeto à CGTP, salientam ter tentado ao longo do último ano "resolver o conflito através da negociação, sem prejuízo dos trabalhadores e dos utentes da CP".

"Contudo, a Itau mantém a sua posição, provocando perdas de cerca de 200 euros mensais aos trabalhadores, apesar de receber milhões de euros da empresa pública CP para assegurar a concessão do serviço de cafetaria e refeições a bordo dos comboios de longo curso", sustentam num comunicado.

Com a greve hoje iniciada, os trabalhadores exigem o cumprimento integral do AE, a reposição do pagamento correspondente a 22 dias de subsídio de alimentação, aumentos salariais "justos" com retroativos a janeiro, a atualização das cláusulas de expressão pecuniária, condições de trabalho "dignas para os trabalhadores a bordo e de terra" e a negociação e assinatura de um novo AE com a Itau.

Em 2025, os trabalhadores dos bares dos comboios cumpriram já 18 dias de greve em defesa do AE e, em 2026, têm mantido a luta através de uma greve aos feriados, fins de semana e ao trabalho extraordinário.

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