Polícia espanhola aponta apoio de agentes marroquinos na entrada em Ceuta
"A resposta policial em Marrocos foi, no mínimo, de total permissividade, não se tendo registado qualquer tentativa séria de reduzir, dispersar ou afastar a multidão da zona fronteiriça", lê-se no relatório, citado por meios de comunicação social como a agência de notícias EFE, a televisão pública nacional TVE ou jornais como o El Pais e El Mundo.
O documento, elaborado por uma unidade de informações da polícia espanhola e enviado na segunda-feira à juíza que está a investigar a entrada de dezenas de milhares de pessoas em Ceuta em 30 e 31 de julho de forma ilegal, conclui que o ocorrido na cidade, um enclave de Espanha no norte de África, não foi uma ação "espontânea" e teve uma dimensão e exigiu um planeamento fora do alcance das máfias de tráfico de seres humanos.
O documento não aponta para uma autoria em concreto, mas sublinha como agentes fardados das forças de segurança de Marrocos guiaram e deram indicações aos grupos que pretendiam chegar à fronteira e cruzar ilegalmente para o lado espanhol.
Refere também outras pessoas, aparentemente ligadas às forças de segurança ou mesmo polícias de Marrocos à paisana, a organizar e monitorizar o fluxo humano que se dirigia à fronteira com Ceuta.
O relatório baseia-se em análises de conteúdos que circularam nas redes sociais em Marrocos naqueles dias e anteriores, assim como de imagens (incluindo vídeos) registadas em território marroquino e de entrevistas.
A Polícia Nacional de Espanha conclui que a entrada em massa de pessoas em Ceuta não teve fins migratórios e sublinha como só 10% das pessoas que cruzaram a fronteira ilegalmente tentaram permanecer em Espanha.
Este relatório foi inicialmente noticiado pelo jornal digital El Español, que divulgava o alegado conteúdo do documento mas não fazia citações textuais.
Na sequência da notícia publicada pelo El Español, o ministro da Administração Interna (MAI) de Espanha, Fernando Grande-Marlaska, divulgou hoje de manhã uma carta que enviou à direção da Polícia a pedir a confirmação do conteúdo do relatório e explicações por não lhe terem sido comunicadas direta e previamente estas informações.
Segundo o MAI, o diretor da Polícia Nacional de Espanha, Francisco Pardo, garantiu que o relatório não atribui às forças de segurança marroquinas "o planeamento ou execução" da entrada de mais de 70.000 pessoas em Ceuta de forma ilegal.
Foi depois desta garantia do diretor da Polícia que o relatório foi publicado, ao final da tarde, através de imagens e com citações textuais, por vários meios de comunicação social espanhóis.
O Governo de Espanha tem assegurado repetidamente não haver qualquer indício do envolvimento das autoridades de Marrocos na entrada de mais de 70.000 pessoas em 24 horas em Ceuta, território com 83.500 habitantes.
O próprio primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse na segunda-feira que continuam a ser investigadas a origem e as causas exatas do que ocorreu em 30 e 31 de julho em Ceuta, mas que não há "nenhuma informação", por parte das forças de segurança nacionais e serviços de informações de Espanha ou outros, que responsabilize ou aponte para "a participação de uma forma ou outra" de Marrocos.
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