FC Porto: Gabriel driblou até a fome e no fim ficou tudo «Mec»
Quando aos nove anos trocou o Rio de Janeiro pelo Rio Grande do Sul, Gabriel Ferreira de Carvalho virou «Mec».
O ar descontraído, «bem tranquilão», com que o novo menino do Rio convivia tanto com os colegas como com a bola fez com que a «gurizada» do centro de treinos do Grémio o batizasse com a gíria carioca. A nova alcunha assentou-lhe tão bem como a camisola do tricolor gaúcho.
Gabriel passou a ser Mec e ganhou nome no futebol brasileiro. Agora, aos 18 anos, cumpre o sonho de jogar na Europa, à boleia do FC Porto, que o apresenta esta quarta-feira como novo reforço para a equipa de Francesco Farioli, num negócio de 10 milhões de euros.
Este «talento puro», como definiu por estes dias o português Luís Castro , o seu último treinador no Grémio, é um menino precoce.
Tinha ainda 14 anos quando os seus direitos de imagem passaram a geridos pela empresa do pai de Neymar (a NR Sports). Com 16 anos e 292 dias, estreou-se na equipa profissional do Grémio, mais cedo do que, por exemplo, Ronaldinho Gaúcho.
Antes desta nova etapa de afirmação, apesar da juventude, Gabriel tem uma grande história para contar, como explica ao Maisfutebol quem o viu crescer no desporto e na vida.
Começou a dar os primeiros toques na bola na Vila Olímpica do Parque Guarus, em Campos dos Goytacazes, sua cidade natal, mas foi no Rio de Janeiro, na Copa Dente de Leite, que aquele menino a quem sobrava em habilidade o que faltava em corpo acabou por ser descoberto por um olheiro do Grémio.
Em 2018, Gabriel e a mãe, Dona Ana Márcia, mudaram-se então de armas e bagagens para Porto Alegre, a quase dois mil quilómetros da casa da família, onde ficaram o irmão e o pai, «Seu» Robson, que desde 2013 trabalhava como diretor de logística, apesar de ser formado em pedagogia.
Mãe e filho, de apenas nove anos, foram viver para uma pensão em Porto Alegre, que albergava mais 60 hóspedes, perto do Centro de Treinos Parque Cristal.
Estranharam a mudança, revela ao Maisfutebol William Mikhailenko, que durante 18 anos foi coordenador do futebol de formação do Grémio e acompanhou Mec desde a sua chegada à capital gaúcha.
«O sul do Brasil é bem mais frio do que o Rio, a comida é diferente… Foi difícil a adaptação, mas ele sempre foi um garoto muito focado no objetivo de ser profissional de futebol. A mãe trabalhou como cozinheira na pensão. Na verdade, fazia um pouco de tudo. Moraram uns três anos lá, até que o pai e o irmão se mudaram também para Porto Alegre», começa por dizer William à nossa reportagem.
Apesar dos obstáculos, o plano estava a ser cumprido. Até que os tempos de incerteza da Covid-19 viraram do avesso a vida de Gabriel Mec e da sua família.
«A pandemia afetou economicamente toda a gente. Na época, o clube teve de se reorganizar, de cortar apoios a muitos jovens jogadores e o Gabriel foi um dos afetados. Os treinos pararam, a família ficou abalada com a situação. Ponderaram voltar para o Rio, mas ele, apesar de nessa altura ter 12 anos, teve uma voz ativa. Disse que queria ficar porque iria vencer.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em maisfutebol.iol.pt — o conteúdo pertence a Maisfutebol.