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A moção de censura é só "fogo de vista"?

Observador ·
A moção de censura é só "fogo de vista"?

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

E o vencedor é na Rádio Observador. Estamos em direto na rádio, também no YouTube e nas redes sociais do Observador. Hoje contamos com os comentários da Judite França, da Helena Garrido e da Raquel Cacis. Bem-vindas. Helena Garrido, boa tarde. Vou começar por ti. Hoje já escutámos o líder do PS apelidar a oposição do Chega e esta posição de apresentar uma moção de censura de espetáculo pirotécnico. A moção de censura é só um fogo de artifício, esta atitude do Chega?

Claro que não. Na minha perspectiva, como é óbvio. Às vezes vale a pena uma pessoa ir ao básico: o que é uma moção de censura? Para que serve? Uma moção de censura serve para escrutinar o governo, para reprovar a governação ou para reprovar a gestão de um determinado assunto e escrutinar o governo. A última consequência é, se for aprovada, a demissão do governo. Isto não significa que só se devam apresentar moções de censura quando existem garantias de que elas são aprovadas. É um instrumento que os parlamentares têm para usarem no escrutínio e na opinião que dão sobre a estratégia que o governo está a usar. Neste caso concreto, só não percebe quem não quer. André Ventura, com esta moção de censura, atinge vários objetivos. Um deles, que o Partido Socialista também devia perceber bem, era exatamente reforçar a sua mensagem, que está sempre presente nas suas estratégias, de que PS e PSD é a mesma coisa. Aqui mais ligado ao ministro da Administração Interna, mas o objetivo final é o mesmo: PS e PSD protegem-se um ao outro, estão os dois com as diversas insinuações que têm feito e suspeições que têm lançado, estão os dois com medo de, como diz André Ventura, estou a usar de forma livre o que ele diz, têm medo de Luís Neves. Não percebem que a tática de André Ventura é uma tática em que ele vence mesmo que a moção de censura que ele sabe perfeitamente que não vai ser aprovada. Aliás, ele até quer que não seja aprovada.

Porque assim isso permite-lhe dizer que o Partido Socialista está com o PSD e também o Partido Socialista está desconfortável com Luís Neves. Ou tem medo.

Eu ia dizer que tradicionalmente, historicamente, quem tem esse tipo de iniciativas de moções de censura depois acaba por ter uma certa penalização nas urnas. Isto não acontece com Ventura.

Se a moção de censura for aprovada. É mais no sentido que quem faz cair um governo é penalizado, mas André Ventura sabe que o PS não vai aprovar a moção de censura. E portanto, não corre nenhum risco. Ele tem o protagonismo de criticar o governo, de continuar a manter o tema ativo, sem o risco. Por isso ele está num caminho. Tem o melhor dos dois mundos. Exatamente, é o win-win. É um caminho em que ele sai sempre vencedor. O primeiro-ministro colocou-se numa posição, e o próprio líder do Partido Socialista, em que deixaram que André Ventura assumisse uma posição que sai sempre vencedor, seja qual for a saída. Obviamente que se a moção de censura fosse aprovada, havia a estratégia da vitimização do governo, a sua demissão, ele era o responsável pela instabilidade política, mas nada disso vai acontecer.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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