Ministra diz que Bruxelas “aceitou bem” regresso do Estado à REN para maior “segurança energética”
A ministra da Energia, Maria da Graça Carvalho, disse em Bruxelas que a Comissão Europeia “aceitou bem” o regresso do Estado português ao capital da REN por a participação pública permitir maior “segurança e soberania energética”.
“Foi [bem aceite em Bruxelas].
A questão de segurança, soberania e ter mais uma ferramenta de acompanhar as políticas […] foi muito bem compreendido ” pela Comissão Europeia, afirmou Maria da Graça Carvalho.
O que pode mudar na REN? Ler Mais Em declarações aos jornalistas portugueses em Bruxelas após se ter reunido com a responsável da Direção-Geral da Energia da Comissão Europeia, Céline Gauer, a ministra portuguesa da tutela indicou que o regresso do Estado português à estrutura acionista da Redes Energéticas Nacionais (REN) “foi um dos tópicos” abordados no encontro.
“ Expliquei que, numa empresa de rede de transmissão de eletricidade, portanto de alta tensão, a participação do Estado é de crucial importância para a soberania e para a segurança , e essa é uma das principais razões desta decisão do Estado de entrar no capital da REN”, referiu.
Isto é “ algo que tem estado a ser estudado e planeado desde que estamos no Governo, desde 2024, coordenado pelo senhor primeiro-ministro, que sempre foi a sua intenção “, acrescentou.
REN.
EUA elogiam Portugal por reforçar soberania energética Ler Mais De acordo com a Maria da Graça Carvalho, entre as empresas que integram a rede europeia de operadores de sistemas de transmissão, Portugal era o único país cuja empresa era “completamente privada”.
Maria da Graça Carvalho destacou que 18 das 40 empresas de transmissão de eletricidade de 34 países europeus são integralmente públicas , dando como exemplos a Dinamarca, a Suécia e a Noruega.
Reentrada na REN vai cortar preços? Especialistas duvidam Ler Mais “Portanto, não poderia haver aqui outra reação da Comissão Europeia” , adiantou a ministra, defendendo que a participação pública constitui uma ferramenta adicional para o Estado acompanhar de perto uma área considerada estratégica, além da política energética e da supervisão exercida pelo regulador independente.
A governante escusou-se, contudo, a falar sobre um eventual reforço futuro da participação pública na REN ou sobre a representação do Estado nos órgãos sociais da empresa, remetendo essas matérias para uma fase posterior e para o Ministério das Finanças.
“É uma empresa cotada em bolsa”, lembrou, explicando que a operação foi conduzida com “o maior cuidado e de forma sigilosa para não perturbar o funcionamento da REN”.
Para a ministra, a entrada do Estado no capital da empresa faz sentido por razões de “segurança do abastecimento, segurança do Estado” e pela necessidade de assegurar uma política energética baseada em energia “acessível, limpa e segura”.
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