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Economia

Peso fiscal: Cada contribuinte paga mais 3.063 euros em impostos em 10 anos

Jornal Económico ·
Peso fiscal: Cada contribuinte paga mais 3.063 euros em impostos em 10 anos

O peso fiscal sobre os contribuintes voltou a agravar-se em 2025: em média, cada português pagou 16.055 euros em impostos no último ano, mais 1.041 euros face a 2024 e 3.063 euros do que em 2016, numa década marcada por um crescimento quase contínuo da receita tributária.

Este valor representa um acréscimo de 7% face a 2024 e um salto acumulado de 24% desde 2016, sobretudo por causa do IRS.

Na última década, o montante total de impostos pagos pelos portugueses aumentou quase sempre, com apenas uma exceção: 2020, ano marcado pela pandemia, quando a receita caiu para 48,7 mil milhões de euros, após atingir 51,9 mil milhões em 2019.

Desde então, não parou de crescer, culminando em 2025 num novo máximo de impostos pagos por famílias e empresas, num universo de mais de quatro milhões de contribuintes (mais de 3,4 milhões de contribuintes com IRS liquidado, a que se somam 605 mil empresas com imposto pago, segundo as estatísticas da Autoridade Tributária).

Fiscalistas não têm dúvidas: parte significativa da despesa pública continua a ser financiada pela pressão fiscal, essencialmente sobre o trabalho, e o país está a falhar no contrato fiscal implícito de mais receita fiscal se traduzir na melhoria dos serviços públicos, produtividade e capacidade de investimento.

O fiscalista Carlos Lobo, sócio fundador da Lobo, Carmona & Associados, aponta baterias à tendência insaciável de aumento da receita fiscal.

“Este aumento deve ser lido menos como um mero fenómeno contabilístico e mais como a expressão de uma transformação silenciosa do Estado fiscal português”, defende o antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais.

Explica que não estamos apenas perante mais receita porque há mais economia.

“Estamos perante um sistema que, por via da inflação, do crescimento nominal dos salários, da evolução das contribuições sociais, do IVA e da progressividade do IRS, se tornou extraordinariamente eficiente a extrair rendimento”.

Receita sistematicamente acima do orçamentado Os números confirmam esta evolução.

Só no último ano, segundo a Entidade Orçamental, foram cobrados mais 1.461 milhões de euros em impostos do que o inicialmente orçamentado, contribuindo para um excedente superior ao antecipado.

Os fiscalistas ouvidos pelo JE explicam que a receita fiscal acima do orçamentado resulta de vários fatores.

“Há uma componente de prudência orçamental, que pode ser compreensível”, diz João Espanha, apontando ainda uma componente de inflação que aumenta automaticamente a receita de IVA, IRS e outros impostos.

Há ainda a evolução favorável do emprego, da massa salarial e de algumas bases tributáveis, remata.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.

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