Protestos na Colômbia contra o novo presidente de extrema-direita
Milhares de pessoas manifestaram-se esta noite na Colômbia contra as políticas do presidente de extrema-direita Abelardo de la Espriella, o primeiro dia de mobilização desde a sua chegada ao poder, em agosto.
Convocada pela oposição, liderada pelo ex-presidente colombiano, de esquerda, Gustavo Petro (2022-2026), sindicatos, comunidades indígenas, estudantes e organizações feministas reuniram-se de manhã em várias cidades do país sul-americano, entoando slogans a prometer a queda do governo de la Espriella.
"Abelardo odeia-nos", "Pelo futuro do país", podia ler-se nos cartazes durante uma manifestação em Bogotá.
"Tenho a sensação de que não temos qualquer garantia e que o pouco que conseguimos (...) estamos prestes a perdê-lo", explica Ester Guerra, manifestante e professora de 32 anos, entrevistada na capital, Bogotá.
Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia durante o seu mandato alargou o acesso gratuito à universidade pública, permitiu aumentos recorde do salário mínimo e concedeu benefícios aos trabalhadores, como o pagamento extra pelas horas de trabalho noturno.
O novo governo de direita liderado por Abelardo de la Espriella, um ex-advogado milionário admirador do presidente americano, Donald Trump, ainda novato na política antes da sua eleição, preocupa a oposição.
A oposição considera, nomeadamente, que os direitos humanos estão ameaçados pela sua estratégia de combate direto aos grupos armados envolvidos no narcotráfico, e rejeita o restabelecimento das relações diplomáticas com Israel, que foram quebradas sob o governo de Petro.
Além disso, considera perigoso para a soberania do país o estreitar de relações entre Bogotá e Washington.
"Há muita frustração (...) e esta manifestação mostra que a oposição representa uma grande parte do país", afirma Samuel Molina, estudante de 20 anos em Bogotá.
Os manifestantes têm medo de serem alvo de repressão, após a assinatura na terça-feira pelo novo Presidente de um decreto para regular os protestos e facilitar o uso da força pelas autoridades em caso, por exemplo, de bloqueio de estradas.
Durante este dia de mobilização, as comunidades indígenas também protestaram contra um projeto de regulação da guarda indígena - uma entidade civil responsável pela defesa dos territórios ancestrais, que opera nas regiões onde atuam guerrilhas e outros grupos armados envolvidos no tráfico de drogas.
O presidente da Espriella também é criticado por uma suposta falta de transparência na gestão de fundos pela sua esposa, encarregada de coordenar a ajuda privada destinada às vítimas do grave terramoto que atingiu o oeste do país a 10 de agosto.
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