Governo processa Califórnia por listas de eleitores com estrangeiros
O Departamento de Justiça norte-americano processou hoje judicialmente as autoridades eleitorais do estado da Califórnia pelo alegado envio de boletins de voto por correio a estrangeiros, para as eleições intercalares de novembro.
O processo surge após o Departamento de Justiça ter ameaçado a Califórnia, numa carta, com um processo judicial caso o estado não justificasse que alegados estrangeiros que constam de uma lista na posse das autoridades federais estavam habilitados a votar, e pede ao juiz que impeça que estes votos por correspondência sejam contados nas próximas eleições.
O chefe do cartório eleitoral do condado de Los Angeles, Dean Logan, afirmou em comunicado que o seu gabinete recebeu a lista esta semana num disco externo, juntamente com um "bilhete manuscrito contendo uma palavra-passe" para aceder à lista de alegados não-cidadãos no recenseamento eleitoral.
O dispositivo, adiantou, não foi considerado seguro.
A Califórnia, onde o Partido Democrata tem vencido os republicanos nas últimas eleições federais e estaduais, envia os boletins de voto pelo correio para todos os eleitores registados.
O processo do Departamento de Justiça alega que o governo federal procurou "trabalhar em colaboração" com a Califórnia para identificar os não cidadãos registados para votar no estado, e que "a Califórnia não fez qualquer esforço sério nesse sentido".
"Os Estados Unidos procuram, portanto, medidas eleitorais comuns quando um boletim de voto é questionado.
Este Tribunal deve impedir a Califórnia de contabilizar, atualmente, os votos por correspondência de prováveis não cidadãos na próxima eleição federal, até que a situação de cidadania do eleitor possa ser determinada", refere o processo.
Num comunicado divulgado na noite de quarta-feira, a Secretaria de Estado sugeriu que a abordagem do governo federal à Califórnia não foi colaborativa.
A secretária de Estado, Shirley Weber, democrata que também é citada no processo, afirmou que o Departamento de Segurança Interna alegou anteriormente que a Califórnia tinha 190.000 não cidadãos no seu recenseamento eleitoral, mas recusou-se a fornecer a metodologia ou as fontes de dados quando solicitado.
Numa publicação nas redes sociais, na quarta-feira, o governador democrata Gavin Newsom classificou o pedido da administração Trump como "mais um absurdo perigoso de um Presidente que está a perder o contacto com a realidade".
"As eleições da Califórnia NÃO estão sob o controlo de Donald Trump.
Vamos garantir que TODOS os eleitores da Califórnia podem participar numa eleição livre e justa", escreveu Newsom.
O gabinete do responsável pelo registo eleitoral do condado de Los Angele já tinha sido investigado pela Procuradoria durante as eleições primárias do estado, em junho.
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