Montenegro mantém PS e Chega às escuras na operação REN
Primeiro como líder do PSD e, depois, como primeiro-ministro, Luís Montenegro falou na entrada do Estado no capital da REN (Redes Energéticas Nacionais) ainda sem adiantar grandes detalhes. Esse vazio deu espaço a críticas da oposição, que só conheceu a decisão através da comunicação social. Tanto José Luís Carneiro como André Ventura, líderes dos dois maiores partidos da oposição, não tiveram qualquer conversa prévia com Montenegro sobre o assunto, confirmou o Observador.
Até agora não existiram contactos sobre o novo fundo ou sobre a entrada no capital da REN, conhecida publicamente no final da semana passada. E a operação vai sendo questionada pelo PS, sobretudo pelo recuo aparente dos partidos que estão no Governo. Ainda no fim de semana, o dirigente socialista Filipe Santos Costa referia como importante perceber por que motivo a AD, que em 2012 vendeu grande parte da REN sobretudo a potências estrangeiras (25% à China e 15% a Omã), compra agora 13,7% a um grupo privado espanhol quando, em 2014, a “mesma AD” decidiu vender os últimos 11% da REN ainda na posse do Estado.
Isto além das dúvidas sobre a origem do montante necessário para esta operação, “num momento em que o Governo da Aliança Democrática (AD) provoca o colapso da saúde, da educação e dos serviços sociais, degrada as contas públicas, falha no crescimento económico e agrava a carga fiscal, sobrecarregando os portugueses no IRS, no IVA e lucrando nos impostos sobre os combustíveis com as guerras do leste da Europa e do Golfo Pérsico”, disse também o socialista na reação às palavras de Montenegro no Pontal.
PS questiona Governo por que via e com que meios adquiriu 13,7% da REN
No caso do Chega, a crítica não foi direta à operação. André Ventura não falou concretamente desta iniciativa do Governo, na reação ao discurso de rentrée de Montenegro, mas atacou o alinhamento de prioridades do primeiro-ministro nesta altura. “Temos um primeiro-ministro que vive em outro mundo, que olha para o país e não o consegue ver, porque não sabe de que está a falar”, declarou o líder do Chega que, sabe o Observador, tal como José Luís Carneiro, não teve qualquer conversa com Montenegro sobre o tema da REN.
A ambição de Montenegro já era conhecida há muito. Em outubro de 2023, ainda não era primeiro-ministro, assumia que, nas privatizações vindas da troika, a da REN tinha deixado “uma pontinha de dúvida”. “É do interesse estratégico de Portugal ter a rede elétrica na posse do Estado”. E admitia reabrir esse dossier “se se colocar a condição, porque também depende das finanças públicas”. Depois do apagão de 2025, a questão voltou a ter relevância e, embora não tenha estado no programa eleitoral da AD (só os partidos à esquerda a defenderam), o regresso do Estado à REN acabou por ser decidido pelo atual Governo. Tanto neste processo de decisão como no da criação do fundo soberano, o chefe do Executivo nunca chegou a prometer uma consulta prévia à oposição antes de avançar — como acaba agora por fazer.
Porque quer o Estado voltar à REN. As explicações e as perguntas sem resposta
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.