Quatrocentos detidos e centenas de milhares nas ruas de França. Macron promete castigos, Mélenchon acusa a polícia e primeiro-ministro avisa: “Não nos deixaremos intimidar”
Quatrocentas pessoas detidas, carros incendiados, edifícios públicos saqueados e montras partidas. Os protestos contra o aumento do custo de vida levaram centenas de milhares de pessoas às ruas francesas este sábado, 17 de outubro, e desencadearam uma troca de acusações entre o Governo e a oposição.
A central sindical CGT tinha inicialmente apontado para 500 mil manifestantes, mas acabou por subscrever a contagem divulgada por organizações estudantis e pelos “coletes amarelos”, depois do aumento da participação em cidades como Montpellier, Estrasburgo, Lille, Bordéus, Nantes e Marselha.
Em Paris, centenas de manifestantes encapuzados lançaram petardos e outros objetos contra as forças de segurança na Praça da República. A polícia respondeu com gás lacrimogéneo, enquanto se ouviam gritos de “Macron, demissão”.
Em Bordéus, um grupo de indivíduos invadiu e saqueou a residência da representante do Estado, obrigando à intervenção da RAID, unidade de elite da polícia francesa. “Indivíduos entraram e saquearam o local”, confirmou à agência France-Presse um porta-voz das autoridades. A presidente da Câmara Municipal, Sophie Brocas, condenou os estragos e as pilhagens em estabelecimentos comerciais no centro da cidade.
Os confrontos estenderam-se a outras cidades, com ataques a lojas e edifícios públicos e viaturas incendiadas.
“Não há lugar para a violência na nossa República. Aqueles que destruíram, atacaram as prefeituras e os estabelecimentos e saquearam até as nossas câmaras municipais serão processados e punidos”, escreveu Emmanuel Macron na rede social X. O Presidente francês apelou à união “contra os semeadores do caos, que apenas procuram derrubar as nossas instituições e impedem aqueles que expressam pacificamente as suas reivindicações de o fazer”.
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, responsabilizou “grupos de extrema-esquerda” pelos incidentes e acusou outros indivíduos de se terem misturado com os manifestantes para pilhar e destruir. “Não nos deixaremos intimidar”, escreveu, dirigindo-se àqueles que, segundo afirmou, pretendem transformar os incidentes num “aquecimento” para as eleições presidenciais de 2027.
Lecornu defendeu a atuação das forças de segurança. “Num momento em que alguns procuram lançar o opróbrio sobre as nossas forças de segurança, quero dizer aos franceses que podem orgulhar-se dos seus polícias e dos seus gendarmes. Enfrentaram uma violência de extrema intensidade para proteger os nossos concidadãos e merecem todo o nosso apoio.”
O primeiro-ministro prometeu ainda levar até ao fim o projeto-lei conhecido como “estraga-paga”, destinado a obrigar os responsáveis pelos danos a suportarem os custos das reparações. “O dinheiro público é escasso e deve financiar os serviços públicos, não reparar indefinidamente aquilo que outros estragam e destroem”, defendeu.
O ministro do Interior atribuiu os incidentes a “vários milhares de desordeiros”, entre os quais identificou grupos de extrema-esquerda e “delinquentes oportunistas”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.