Quantos sonhos cabem em 477 hectares. Um teatro à volta do futuro do aeroporto de Lisboa
Foi inaugurado a 15 de outubro de 1942, nas antigas terras do planalto da Portela de Sacavém, outrora quintas propriedade de linhagens monárquicas e sangue burguês.
Aeroporto da Portela (1942-2016) foi a primeira nomenclatura.
Sem sair do lugar, viria a ser batizado em segundas núpcias como Humberto Delgado.
Instalado no território de seis freguesias de dois concelhos: Alvalade, Lumiar, Olivais e Santa Clara (Lisboa) e União das Freguesias de Sacavém e Prior Velho e União das Freguesias de Camarate, Unhos e Apelação (Loures) – à sua volta explodiram bairros clandestinos, construções precárias e prédios de autoconstrução erguidos pelas mãos de migrantes.
Os primeiros, vindos do interior de Portugal.
A revolução de Abril e o pós Revolução trouxe uma segunda e terceira vaga de uma população – os chamados “retornados”, portugueses vindos das ex-colónias e os nascidos nos PALOP’s, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.
Instalaram-se nestas traseiras da cidade de Lisboa, lugar onde depositaram as esperanças de uma vida nova.
Para albergar os novos habitantes, ergueram-se barracas, bairros clandestinos, edifícios desordenados e casas construídas no âmbito do PER – Programa Especial de Realojamento.
À sombras das pistas, estes bairros vibrantes fizeram-se de escolas, fábricas, restaurantes, lojas, um cinema, uma logística económica e social moldada pela presença do aeroporto, numa cidade nascida ao redor da grande cidade com os aviões a marcarem o ritmo dos dias.
Após 50 anos de estudos e 17 hipóteses técnicas de localização distribuídas por 15 áreas geográficas diferentes da região de Lisboa, o novo Aeroporto Internacional de Lisboa, vai, finalmente, levantar voo e aterrar, no outro lado do Rio Tejo.
Recebe novo nome, Luís de Camões e muda-se para terrenos públicos pertencentes ao Campo de Tiro da Força Aérea de Alcochete.
Distante da malha urbana, estende-se por duas freguesias de dois concelhos: Samora Correia (Benavente) e Canha (Montijo).
O Governo aponta 2034.
A ANA, e a Vinci, concessionária, acrescenta três anos ao horizonte.
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