China alerta para mudança no turismo após inundações no Nepal
A maior confederação empresarial da China disse hoje que as inundações catastróficas que atingiram em agosto o Nepal e a região chinesa do Tibete devem servir para mudar o modelo de desenvolvimento do turismo.
Em 16 de agosto, uma enxurrada semelhante a um tsunami, provocada pelo colapso de um glaciar de grande altitude na fronteira entre o Nepal e a China, causou pelo menos 1.446 mortos dos dois lados dos Himalaias.
De acordo com o mais recente balanço, as inundações deixaram ainda 6.569 desaparecidos, entre os quais centenas de estrangeiros, incluindo turistas e peregrinos.
Na lista constam dois portugueses.
Luo Laijun, vice-presidente da Federação de Indústria e Comércio da China (ACFIC, na sigla em inglês), defendeu hoje a necessidade de "usar a crise e transformá-la numa oportunidade".
"Tanto o setor público como nós, no setor privado, temos de trabalhar de mãos dadas para elevar a gestão de crises a um novo patamar", acrescentou Luo, num discurso proferido na abertura do 12.º Fórum de Economia de Turismo Global.
O dirigente da maior confederação empresarial da China frisou a urgência de "alterar o modelo de desenvolvimento turístico", nomeadamente através da aposta no "turismo ecológico e no turismo de baixo carbono".
Ainda assim, e apesar do impacto do desastre, Luo defendeu que não faz sentido pôr um travão no turismo, mesmo nas áreas mais afetadas pelas alterações climáticas, como a cordilheira dos Himalaias.
"Os visitantes estrangeiros trazem um impacto bastante positivo, tanto para o país em geral, como para as comunidades locais em particular", disse o antigo executivo do setor da aviação, no evento que está a decorrer em Macau.
Luo recordou a ligação histórica da região chinesa com o mundo lusófono e apelou a Macau para "alargar o intercâmbio com os países de língua portuguesa, para que conheçam melhor a China".
No final de setembro, o primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, declarou na Assembleia Geral da ONU que as inundações de 16 de agosto "foram um alerta para o mundo" sobre as alterações climáticas.
O Nepal estima que a fatura da reconstrução após uma das piores catástrofes da história ascenderá a 4,78 mil milhões de dólares (4,15 mil milhões de euros).
"O Nepal contribuiu com menos de 0,1% das emissões globais de gases com efeito de estufa.
Não criámos esta crise e, no entanto, estamos a pagar o preço por ela", enfatizou Shah.
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