Venezuela: Trump diz que país “ainda não está preparado” para eleições
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje que a Venezuela “ainda não está preparada” para realizar eleições, nove meses depois da intervenção dos Estados Unidos para capturar o ex-presidente Nicolás Maduro.
“Acho que eles ainda não estão prontos.
Tudo isto é muito recente”, declarou Trump na Casa Branca.
A Presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, “está a fazer um grande trabalho (…) é isso que queremos, é isso que ela quer, mas ainda não estão preparados”, acrescentou.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou hoje a realização dentro de “cerca de dez dias” de uma nova ronda de negociações entre o Governo interino e a oposição venezuelanos, elogiando também o acordo petrolífero concluído com Caracas.
“A próxima fase destas conversações de transição, facilitadas por nós, terá lugar dentro de cerca de dez dias”, disse Rubio no programa de rádio de Brian Kilmeade na estação Fox News.
O Governo, liderado por Delcy Rodríguez, e a oposição venezuelana efetuaram a sua primeira ronda de diálogo em agosto, com o objetivo de promover uma transição política no país latino-americano.
Este diálogo, pretendido por Washington, ocorreu sete meses depois da captura de Nicolás Maduro pelos militares norte-americanos, após mais de um quarto de século de governação chavista, doutrina de inspiração socialista do Presidente Hugo Chávez (1999-2013).
O secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, encontrava-se hoje em Caracas para discutir um acordo bilateral que poderá permitir a Washington controlar cerca de um quinto das reservas de petróleo da Venezuela.
Falando da transição política, Rubio observou que esta “não levará tanto tempo como a da Europa de Leste, região que precisou de quatro ou cinco anos para completar a sua transição” para a democracia.
“Podemos fazê-lo muito mais rapidamente aqui; estamos a trabalhar arduamente para isso”, prosseguiu o chefe da diplomacia norte-americana.
Mas “as eleições democráticas não se resumem à simples realização de uma votação”, sustentou.
Sobre o acordo petrolífero, Rubio disse que este trará “certos benefícios a curto prazo, mas também garante que serão os Estados Unidos — e não a China, a Rússia ou o Irão — a ocupar uma posição estratégica em relação ao maior produtor de petróleo” do continente americano.
Após a assinatura, hoje, de acordos com as empresas transnacionais Chevron e Eni, a Presidente interina da Venezuela declarou esperar que o importante acordo petrolífero entre Caracas e Washington, anunciado na sexta-feira, beneficie também os norte-americanos, e disse que “cada vez mais” o diálogo com a Casa Branca.
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