Rússia ajuda Irão a desenvolver mísseis de cruzeiro supersónicos avançados
S egundo uma investigação do jornal britânico, o programa secreto iniciado em 2023, com o nome de código C430L, recrutou alguns dos mais experientes especialistas em mísseis da Rússia para ajudar o Irão a desenvolver uma nova classe de armamento capaz de ameaçar porta-aviões e outros navios de guerra norte-americanos no Médio Oriente.
O programa continuou durante a guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, no final de fevereiro, adianta o FT, que teve acesso a correspondência russa, registos de viagens e análise de patentes militares.
O principal objetivo do C430L é ajudar o Irão a desenvolver um sistema de propulsão ramjet, um motor que permite a um míssil de cruzeiro manter um voo várias vezes mais rápido do que o som.
Especialistas em mísseis e assuntos militares afirmaram que a tecnologia se destina quase certamente a mísseis de cruzeiro antinavio e de ataque terrestre.
"Esta é a transferência de uma tecnologia militar altamente sensível e estratégica da Rússia, que os iranianos desejam adquirir há décadas", disse ao FT Fabian Hinz, especialista em mísseis iranianos e analista sénior da Conflict Armament Research, uma organização britânica de rastreio de armas.
«Um programa como este exigiria a aprovação política ao mais alto nível na Rússia», adiantou.
Os mísseis de cruzeiro supersónicos combinam a velocidade com a capacidade de voar a baixa altitude, reduzindo o tempo disponível para que sofisticados sistemas de defesa aérea e antimíssil os detetem e intercetem.
Isto é especialmente relevante para o Irão no Golfo Pérsico, onde os Estados Unidos e os seus aliados regionais operam sistemas avançados de defesa terrestre e marítima.
O Irão construiu e testou em voo o sistema de propulsão ramjet, embora não haja provas de que tenha sido implantado um míssil de cruzeiro supersónico com assistência russa.
«Para os iranianos, isto dar-lhes-ia um sistema de armas estratégicas qualitativamente novo, capaz de ameaçar os navios da Marinha dos Estados Unidos», disse ao FT Jim Lamson, antigo analista militar da CIA especializado em Irão e atualmente no Centro James Martin de Estudos de Não Proliferação.
A correspondência divulgada mostra que as negociações sobre o programa continuaram até ao verão.
Isto faz parte da relação militar estratégica cada vez mais estreita entre a Rússia e o Irão.
Teerão forneceu a Moscovo drones de ataque Shahed, que se tornaram uma parte importante da guerra da Rússia na Ucrânia, e ajudou Moscovo a estabelecer a sua produção dentro da Rússia.
As autoridades ucranianas e ocidentais acusaram ainda a Rússia de prestar assistência no campo de batalha ao Irão durante a guerra com Estados Unidos e Israel, incluindo imagens de satélite, apoio para drones e componentes de armas.
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