No Chega, "há consenso de que a moção [de censura] pode fazer sentido"
O presidente do Chega, André Ventura, explica que adiou a decisão sobre avançar ou não com a moção de censura ao Governo para concluir as suas audições a dirigentes do partido, ao grupo parlamentar e a "várias pessoas da sociedade civil".
Como já tinha adiantado de tarde, Ventura garantiu, em entrevista à CNN, que já falou com o Presidente da República e que ficou "claro" que António José Seguro "quer o caso resolvido".
Por outro lado, o líder do Chega garante que há, dentro do partido, "um consenso bastante alargado num sentido de que a moção pode fazer sentido" .
"Há aqui um consenso que o primeiro-ministro compreende que, pelas suas próprias razões, não quer mudar o ministro, mas perceber que este contexto político é incontornável", sublinhou.
Garantido que o Chega tomará uma "decisão final" na quarta-feira, André Ventura explica que tem tentado perceber "se esta é uma perspetiva do Chega ou se é uma perspetiva transversal à sociedade".
"Amanhã, essa decisão será anunciada num sítio próprio", voltou a assegurar. "Esperava que estes contactos que estou a fazer estivessem terminados até terça-feira; serão mais umas horas e eu anunciá-lo-ei amanhã."
Respondendo diretamente a Luís Neves, que voltou a abordar as polémicas esta terça-feira, na Madeira, Ventura garante que não sabe a que se refere o ministro quanto às "invejas", "nem na PJ nem fora",
Quanto ao facto de o ministro ter defendido que tem autoridade para continuar a governar e acusado o presidente do Chega, André Ventura, de lançar "o caos, porque dá jeito", Ventura respondeu que "quem quer o caos é quem faz isto".
"Até quando vamos permitir que o lamaçal continue assim?", questionou.
Assegurando estar ciente de que "não se apresentam moções de censura por dá cá aquela palha", Ventura explica que, caso avance, é porque está convencido de que "100% dos deputados estão ao lado da iniciativa", assim como "a grande maioria da sociedade civil" e "a grande maioria de pessoas, mesmo de outras áreas políticas". "E eu acho que é assim que um líder da oposição deve fazer", acrescenta.
Quanto à posição dos outros partidos, caso a moção de censura seja apresentada, Ventura assume não saber "o que é que o Partido Socialista vai fazer", mas recorda que, esta terça-feira, José Luís Carneiro admitiu haver "um problema de autoridade" .
Mais uma vez, na CNN Portugal, Ventura voltou a sugerir que Luís Montenegro possa ter "receio" de alguma coisa, ao manter-se firme na confiança política no ministro: "O que é que leva o primeiro-ministro, perante isto tudo, a querer manter? É teimosia política? É receio de que Luís Neves saiba de algumas coisas que possa vir falar? Ou é simplesmente o querer fazer um ponto político?", questionou, considerando que, para Luís Neves, "o tempo do esclarecimento começa a ficar curto".
Compreendendo que qualquer que seja a decisão que tome, ela terá um "custo político", André Ventura garante que não quer eleições, mas defende que a situação em torno do ministro da Administração Interna "está a ficar grave demais".
"A decisão que tomar é a decisão que a minha consciência política também me indicará.
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