Portugal é dos países menos afetados na Zona Euro pela subida do custo da dívida, garante DBRS
Num contexto de subidas de taxas de juro das dívida soberanas a nível global nos últimos anos, Portugal, Grécia e Espanha são os países da Zona Euro menos afetados pela aumento do custo do financiamento, protegidos por dinâmicas positivas no crescimento económico, no endividamento e nas contas orçamentais , afirmou esta terça-feira a agência de notação DBRS.
“As taxas de rendibilidade das obrigações soberanas a nível mundial têm aumentado significativamente nos últimos anos , devido ao aumento das necessidades de financiamento público, ao aperto quantitativo e aos prémios de risco mais elevados”, referiu a agência, num dia em que os mercados obrigacionistas globais voltam a ser sacudidos por uma forte pressão vendedora com os investidores preocupados com uma escalada da inflação.
Juros a 20 anos atingem máximos de quase uma década Ler Mais “A Grécia, a Espanha e Portugal são os países menos afetados na nossa análise , uma vez que o impacto negativo dos custos de financiamento mais elevados é, em grande medida, compensado por uma dinâmica da dívida favorável, apoiada por uma evolução económica e orçamental sólida”, salientou a agência canadiana num relatório.
Recordou que os custos de financiamento dos governos da Zona Euro aumentaram significativamente.
Após um período de vários anos de taxas de juro ultrabaixas, as taxas de rendibilidade das obrigações do Estado subiram acentuadamente em 2022, na sequência do choque inflacionista e do consequente aperto da política monetária (Figura 1).
Desde então, as taxas de rendibilidade nominais das obrigações do Estado na maioria dos países da Zona Euro continuaram a aumentar — apesar da diminuição das pressões inflacionistas — e situam-se agora, em geral, nos níveis observados no início da década de 2010.
“Embora a subida inicial das yields em 2022 tenha sido em grande parte impulsionada pelo choque inflacionista, a persistência das taxas de rendibilidade das obrigações a níveis mais elevados nos anos subsequentes parece refletir outros fatores, de natureza mais estrutural , uma vez que as taxas de rendibilidade das obrigações do Estado indexadas à inflação registaram um aumento semelhante ao das taxas nominais”, adiantou.
“Além disso, as expectativas de inflação a médio prazo, que constituem um fator mais relevante para as taxas de juro das obrigações de longo prazo do que a evolução da inflação a curto prazo, aumentaram apenas moderadamente nos últimos anos”.
“Variação muito menos pronunciada” A DBRS realizou uma análise de cenários sobre o impacto de custos de financiamento mais elevados durante mais tempo nos encargos com juros e no rácio da dívida de nove dos principais países da Zona Euro (Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Grécia, Itália, Países Baixos, Portugal, Espanha).
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