Estratégia industrial para a Defesa
Em Portugal e nos restantes Estados-membros da UE são esperados fortes investimentos em Defesa, de modo a concretizar a desejada autonomia estratégica da Europa e a enfrentar os crescentes riscos geopolíticos.
A CIP calcula que o país vá gastar cerca de dez mil milhões de euros no setor durante a próxima década, valor que resulta da soma dos 5,8 mil milhões de euros do empréstimo contraído pelo Estado junto do Instrumento de Ação para a Segurança da Europa (SAFE) com, pelo menos, 4,2 mil milhões de euros decorrentes dos compromissos assumidos por Portugal perante a NATO.
Este esforço financeiro não deve ser encarado numa lógica de despesa, mas sim como um investimento estratégico com impacto económico, industrial e tecnológico.
O reforço do investimento em Defesa pode, e deve, gerar retorno sob a forma de desenvolvimento industrial, inovação tecnológica, qualificação profissional, criação de emprego e integração em cadeias de valor.
Importa, para tanto, assegurar que as políticas públicas para o setor valorizam, de forma consistente, as empresas e os grupos industriais com presença ativa em Portugal.
O alinhamento entre o investimento público e as capacidades instaladas no país será determinante para maximizar o efeito estruturante deste novo ciclo de investimentos em Defesa.
Sendo o Estado o principal cliente da indústria de Defesa, é necessário assegurar que as empresas portuguesas são devidamente consideradas neste processo de capacitação militar e de segurança.
Tal não significa adotar uma abordagem protecionista, mas sim garantir que o tecido empresarial instalado em Portugal tem condições para participar, competir e integrar-se nos programas nacionais e europeus de Defesa.
São necessários uma estratégia e um compromisso para a Defesa desenvolvidos em proximidade com a indústria portuguesa e articulada com as políticas europeias, à semelhança do que acontece noutros Estados-membros.
Essa estratégia deve ser previsível e assentar num diálogo estruturado e num compromisso plurianual entre o Estado, as Forças Armadas e o tecido empresarial.
Só com maior clareza quanto às prioridades, aos calendários e aos requisitos será possível mobilizar investimento privado, acelerar processos de inovação e preparar, com antecedência, as competências e as cadeias de fornecimento necessárias.
Consciente das oportunidades que se abrem no espaço europeu, o tecido industrial português está já a investir em I&D+i para desenvolver novas capacidades e competências.
Este investimento é essencial para integrar as cadeias de valor da Defesa e responder à crescente procura de material militar na Europa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.