O autarca da calamidade sem medo de enfrentar o Governo e Ventura
“Temos um slogan, ‘Leiria não existe’.
Temos uma dimensão económica relevante e uma dimensão política irrelevante.
Eu faço parte dos políticos irrelevantes … todos os que são bons estão em Lisboa, não é? Saindo deste círculo, tudo o que existe são pacóvios ”.
À luz do ganho de notoriedade a partir de 28 de janeiro, as palavras de Gonçalo Lopes, num podcast dias após a tempestade Kristin, sabem a fina ironia.
De facto, se a 12 de outubro, quando venceu pela segunda vez consecutiva as autárquicas em Leiria com maioria absoluta , o socialista poderia estar entre as muitas centenas de autarcas cuja notoriedade não supera em muito os paços do concelho, em fevereiro ninguém teria dúvidas de que o presidente da Câmara de Leiria é tudo menos um político irrelevante.
Mais de três décadas após se juntar ao PS na onda da contestação estudantil da “geração [apelidada de] rasca”, o ex-atleta de andebol saltou para a ribalta a 28 de janeiro, quando apareceu perante câmaras de televisão a apelar ao país para acudir à sua região e ao Governo para decretar estado de calamidade.
Gonçalo Nuno Bértolo Gordalina Lopes, filho de uma professora e de um pequeno empresário em Leiria, nasceu a escassa distância da Base Aérea de Monte Real.
A guerra civil que se ameaçou em Portugal a 25 de novembro de 1975, quando um grupo de paraquedistas ocupou a base, não se confirmou, mas o pequeno Gonçalo, então com dois dias de vida, começava o caminho de vida que o trouxe aqui.
Precisamente Kristin, fenómeno de 28 de janeiro, bem como o incêndio que se abateu sobre o “pinhal de Leiria” e a morte do pai são os três dias mais difíceis da sua vida, afirmou numa das muitas entrevistas que deu neste meio ano.
Nunca a sua notoriedade foi tamanha, mesmo que leve duas décadas passadas na Câmara de Leiria entre vereação, vice-presidência e presidência da autarquia.
Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria Hugo Amaral/ECO Pivot no andebol, pivot de Leiria na tempestade Em 1993, prestes a fazer 18 anos , o benfiquista interrompeu o percurso de pivot de andebol no Atlético Clube da Sismaria nos escalões de formação, e rumou à universidade, em Lisboa .
Ambos os filhos lhe seguiram as pisadas: Pedro é atleta, mas prefere os pés, tendo o seu clube de futsal, Centro de Convívio e Recreio do Telheiro, ficado desalojado após a Kristin.
Simão está em Lisboa a estudar.
Para curso, o jovem Gonçalo escolheu economia.
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