Descidas no preço do leite custam 72 milhões aos produtores este ano
D e acordo com a Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep), as cooperativas associadas na Lactogal comunicaram no final de julho uma nova descida de 1,5 cêntimos por litro no preço ao produtor a partir de 01 de agosto, em todo o território continental.
Por sua vez, na ilha de S. Miguel, nos Açores, "a Prolacto e a Insulac já responderam com descidas de dois e 1,5 cêntimos por litro, justificando a descida com a situação dos mercados a nível nacional e internacional".
"Esta descida, entre agosto e dezembro, representa menos 12 milhões de euros para os produtores, a somar aos 60 milhões de euros que já representa, em todo o ano de 2026, a descida de três cêntimos por litro face a 2025", estimou a direção da Aprolep, em resposta à Lusa.
Para a associação, isto é particularmente grave uma vez que acontece numa altura em que os produtores já se deparam com o aumento do custo dos fertilizantes, rações e do custo da energia.
A associação referiu ainda que alguns produtores temem novas descidas no preço do leite, o que a acontecer seria "um disparate".
Perante a decisão das cooperativas de descer o valor pago aos produtores, a Aprolep desafiou-as a repor o valor em setembro, o que não se verificou.
"Todos desceram o preço ao produtor, entre 1,5 e dois cêntimos. Os compradores que não tinham acompanhado a descida da Lactogal em agosto desceram agora em setembro, todos em linha", referiu.
As cooperativas justificaram este decréscimo aos produtores com as condições de mercado, relacionadas com o preço do leite em pó, com a dificuldade em vender leite embalado e com as promoções agressivas.
Os produtores esperam agora uma resposta do Governo sobre a descida do preço, o aumento dos custos de produção, as promoções e a importação de leite francês pelo Intermarché.
A Aprolep vincou ainda que as ajudas anunciadas para os agricultores, ligadas aos fertilizantes e gasóleo, são "claramente insuficientes".
O preço médio do leite comprado a produtores individuais caiu para 0,447 euros por quilograma (kg), o valor mais baixo, pelo menos, desde o início deste ano, segundo dados do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP).
Neste período, o valor mais elevado foi registado em janeiro (0,465 euros por kg).
Antes disso, entre janeiro e março, o preço estava numa trajetória descendente, passando de 0,462 para 0,456 euros por kg.
A partir de abril regressou às descidas, caindo para 0,450 euros em maio e para 0,447 euros em junho.
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