Fitch tem condições de subir rating de Portugal, mas... O que se espera?
O diretor de Investimentos do Banco Carregosa, Filipe Silva, considerou em declarações à Lusa que há condições para a Fitch "poder subir o rating de Portugal na próxima revisão".
No entender do analista, há três fatores que contribuem para essa possibilidade: redução sustentada da dívida, crescimento económico mais robusto e uma posição orçamental relativamente sólida".
Em março, a Fitch manteve a notação de Portugal em A, com 'outlook' positivo.
Filipe Silva recordou que a trajetória da dívida pública é "um dos fatores centrais" na avaliação e, nesse sentido, apontou que Portugal "continua a registar uma redução do rácio da dívida pública".
"O crescimento económico está também a revelar-se melhor do que a agência antecipava em março, enquanto a situação orçamental permanece significativamente mais favorável do que a da maioria dos soberanos com 'rating' A", acrescentou.
Também à Lusa, o analista de mercados da XTB João Cruz sublinhou que apesar dos indicadores favoráveis, as agências de notação financeira "tendem a adotar uma postura conservadora e prudente".
"É prática comum aguardarem por marcos estruturais decisivos, como a apresentação da proposta do Orçamento do Estado para o próximo ano (cuja entrega na Assembleia da República ocorre até 10 de outubro), para terem a certeza de que a trajetória de redução da dívida se mantém inalterada", apontou, registando que o contexto macroeconómico europeu, que tem sido marcado pelo abrandamento noutras economias centrais, "pode pesar na decisão final".
Nesse sentido, "a expectativa central" deste analista aponta para a manutenção atual do 'rating' na nota A.
"A existir alguma alteração nesta fase, considero que a revisão técnica lógica seria a concretização de uma subida da nota soberana para A+", acrescentou.
João Cruz também enalteceu a evolução dos indicadores macroeconómicos e que o aumento do rácio da dívida entre o final de 2025 e o final do primeiro semestre é algo habitual e "justificado pela gestão normal de tesouraria e pelo calendário de emissões de dívida do Estado".
Além disso, destacou ainda a evolução do avanço homólogo do PIB de 2,4% no primeiro trimestre, para 2,5% no segundo trimestre.
Quanto às perspetivas, o analista da XTB não antecipa qualquer revisão, uma vez que a Fitch já atribuiu a Portugal uma perspetiva positiva desde a avaliação de março.
"Quando uma agência já tem o 'outlook' fixado num patamar positivo, o passo seguinte e natural na sua escala de avaliação é a subida efetiva da nota soberana (a referida passagem de A para A+) e não uma nova alteração da perspetiva. Contudo, perante o atual enquadramento europeu e o calendário orçamental nacional, a manutenção do atual patamar "A/Positivo" surge globalmente como o cenário mais prudente e provável para esta avaliação de setembro", considerou.
Na semana passada, a Standard & Poor's decidiu manter o 'rating' de Portugal em A+, e a perspetiva como positiva, devido à "resiliência do crescimento económico", ainda que antecipando um défice orçamental este ano.
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