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Radicalização de Lula e Flávio pode afastar eleitores decisivos

RTP Notícias ·
Radicalização de Lula e Flávio pode afastar eleitores decisivos

O cientista político Alberto Carlos Almeida considera que a radicalização é o maior erro que Lula da Silva e Flávio Bolsonaro podem cometer na reta final das presidenciais brasileiras, por arriscarem perder o centro que decide a eleição.

"Se Flávio Bolsonaro radicalizar para a direita e Lula radicalizar para a esquerda, isso é um erro. Eles podem perder o eleitor de centro que define a eleição, que define quem vai ganhar", afirmou à Lusa o cientista político, em entrevista ao podcast Lusa Extra, que pode ser ouvido em https://lusaextra.podbean.com/.

No caso de Lula da Silva, o especialista brasileiro recordou a expressão "menos Janja e mais Alckmin", usada pela antiga senadora Kátia Abreu para defender uma mudança na campanha, associando a primeira-dama a uma agenda identitária que considera mais radical, em contraponto com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, um conhecido nome do centrismo moderado.

"A Janja traz uma agenda mais radical, a esposa de Lula traz uma agenda identitária e que é associada ao maior radicalismo na esquerda", declarou.

Por outro lado, no caso de Flávio Bolsonaro, Alberto Carlos Almeida considerou que deve evitar reproduzir expressões usadas pelo pai, o antigo Presidente Jair Bolsonaro.

"Eu acho que no caso do Flávio é falar menos coisas que o pai falava, repetir coisas que o pai falava no passado", afirmou, ressalvando que o candidato não tem adotado esse discurso na campanha e que não espera que o faça a pouco mais de uma semana da segunda volta, agendada para 25 de outubro.

Na primeira volta, realizada em 04 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma diferença de 2.224.965 votos.

Para o autor de "A Cabeça do Brasileiro" e "A Cabeça do Eleitor", os eleitores que alternam entre candidatos de esquerda e de direita decidem o voto sobretudo em função da avaliação que fazem do Governo, com a economia a assumir um papel central.

"Ora ele vota na esquerda, ora ele vota na direita. Mas ele não vota porque é esquerda e direita. Ele vota porque o Governo está bom ou está ruim", explicou.

Lula da Silva e Flávio Bolsonaro têm debates agendados na Band, no domingo, 18 de outubro, e na Globo, em 23 de outubro, que serão os primeiros confrontos diretos entre os dois candidatos nesta campanha eleitoral.

Na sua opinião, os debates entre os dois candidatos podem mudar votos, mas considerou que esse efeito dependerá de uma vitória clara de um deles, recorrendo a uma comparação com o boxe.

"Se for vitória por pontos, eu acho que não muda, mas se for vitória por `knockout`, pode mudar", afirmou.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rtp.pt — o conteúdo pertence a RTP Notícias.

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