"Estamos a lutar por um direito nosso e vamos continuar aqui". Manifestantes decidem pernoitar no Rossio
(texto atualizado às 01h00 de domingo) Os manifestantes do protesto pela habitação em Lisboa decidiram pernoitar na Praça do Rossio e formaram, perto da meia noite, um cordão humano em redor das dezenas de tendas montadas, perante o aproximar do horário legal para terminar a manifestação: 00h30, segundo um decreto-lei promulgado ainda por António de Spínola, em agosto de 1974, no verão pós-revolução de abril.
Com um forte dispositivo policial posicionado em redor da praça, os elementos desta "acampada" prometem não arredar pé, entre cânticos de abril e protestos contra Luís Montenegro.
O mesmo acontecia, de resto, no Porto, onde também se repetia este sábado a concentração pela habitação, na praça D.
João I.
Segundo informação avançada pela CNN Portugal, os organizadores da "acampada" em Lisboa avisaram os manifestantes que a permanência no Rossio depois das 00h30 aconteceria "por conta e risco" de cada um, já em situação considerada ilegal .
Até perto da uma hora da madrugada não se registavam quaisquer incidentes entre os manifestantes e as forças policiais que mantêm a vigilância destas "acampadas" - o único incidente foi um contentor do lixo incendiado no Porto, cuja responsabilidade os organizadores da manifestação atribuíram a elementos externos ao movimento.
Em Lisboa, ao início da noite, pelo menos 2.500 pessoas permaneciam na praça do Rossio, segundo números avançados pela Lusa, já depois de uma assembleia popular tera aprovado seis exigências apresentadas pelos manifestantes: reversão da lei do arrendamento, fim das demolições e despejos sem alternativa habitacional, travão à aquisição de casas por fundos imobiliários, aumento da habitação pública, recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais por iniciativa pública e aplicação de tetos às rendas.
Esta "acampada" pela habitação começou pelas 17 horas, pouco depois de terminar no Rossio também a marcha convocada pela CGTP para este sábado.
As reivindicações eram similares, mas os protagonistas mudaram.
Depois das bandeiras e dos cartazes da CGTP, chegaram as tendas e os jovens manifestantes à Praça do Rossio, em Lisboa .
Um "chaveiraço", com participantes a agitarem as chaves no ar, marcou o início de uma nova acampada pelo direito à habitação , enquanto mais pessoas se juntavam à concentração e na qual o primeiro-ministro, Luís Montenegro, esteve no centro das críticas.
Entre palavras de ordem e faixas dirigidas ao chefe do Governo, os manifestantes fizeram referências aos 55 imóveis que lhe têm sido associados e contestaram as recentes declarações sobre o alegado egoísmo de determinadas mobilizações .
A palavra de ordem era resistir, numa concentração que sucedeu à manifestação da central sindical contra o aumento do custo de vida.
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