Durante séculos, os navios de carga permitiram que viajantes comuns embarcassem nas suas viagens. O que aconteceu?
Enquanto o MV Alejandrina atracava junto à marginal de Quellón, no sul do Chile, algumas dezenas de passageiros correram para reservar lugares para dormir na cafetaria e no convés aberto da popa. Depois de já ter pago alguns pesos extra por um lugar numa butaca (poltrona) semelhante às dos aviões, dirigi-me para um pequeno salão junto à ponte de comando.
O pequeno ferry de carga - uma versão cor de laranja e de grandes dimensões de uma embarcação de desembarque da Segunda Guerra Mundial - acabou por partir por volta da meia-noite, como primeira etapa de uma viagem de três dias pelo arquipélago de Chonos.
Descritas como o “limite exterior do cristianismo” pelos missionários jesuítas espanhóis do século XVI, as ilhas continuam extremamente remotas, cinco séculos depois de os conquistadores terem chegado pela primeira vez. Não existem estradas nem aeroportos. E, embora alguns navios de cruzeiro naveguem pela região, conhecida pelos vulcões cobertos de neve e pelos glaciares azulados, não fazem escala nos pequenos portos das ilhas.
Foi assim que me encontrei num navio de carga que assegurava a única ligação ao mundo exterior para meia dúzia de localidades isoladas, lugares tão fora da rede que a maioria dos chilenos nunca ouviu falar deles.
Mas, embora os navios de carga continuem a desempenhar essa função em várias partes do mundo, são cada vez menos os que transportam passageiros pagantes (ou seja, turistas) para estes portos de escala distantes e exóticos.
“Quase nada está disponível atualmente desde a Covid”, afirma Arne Gudde, proprietário da Langsamreisen , uma empresa alemã que reserva viagens em cargueiros no mar Báltico, no Atlântico e no Pacífico Sul.
A Langsamreisen é uma das poucas sobreviventes de um nicho da indústria das viagens que tinha cerca de meia dúzia de grandes operadores antes da pandemia.
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