Flávio vira 'filhinho de mamãe', e Lula resgata suas origens na TV
Flávio Bolsonaro (PL) fugiu da fama de filhinho do papai na estreia da propaganda eleitoral gratuita na TV .
Com o patriarca preso por tentar afanar a última eleição, o senador apostou alto na figura de filhinho da mamãe. Rogéria Bolsonaro, a mãe do candidato, ganhou primeiro plano, enquanto o ex-presidente que criou a candidatura dele era citado rapidamente com ajuda de imagens de arquivo. Era uma tentativa clara de ganhar o voto das mulheres, hoje refratárias ao Zero Um.
Flávio, que não conseguiu encontrar uma mulher para vice, e se enroscou com fotos constrangedoras à vontade e sem camisa ao lado de parças como Sicário , o capanga de Daniel Vorcaro, usou a propaganda para posar como bom pai, bom marido e bom companheiro. Fez juras de amor à mulher, Fernanda, que jurou ter colocado o marido na linha na base da convivência. Disse que não é à toa que, no meio dos valentões, ele se tornou o filho "moderado" (risos) do ex-presidente - aquele que ganhou fama prometendo metralhar adversários. Poderia dizer que, em vez disso, Flávio só homenageia e emprega parentes de quem metralha de verdade.
Num lance estratégico, a campanha de Lula (PT) usou os primeiros segundos do espaço eleitoral para desdizer tudo o que o adversário havia dito antes. Em mensagem aparentemente apócrifa e sem assinaturas, puxou a ficha criminal do senador. Não era pouca coisa. O pedido de dinheiro para Vorcaro financiar o filme "Dark Horse" não ficou de fora.
Só depois foi anunciado o início da propaganda petista. Saía de cena a estética das páginas policiais e entravam cores e vozes diversas. Uma delas era a do próprio presidente escrevendo para a versão sindicalista dele mesmo. O chamado Lula do Velho Testamento, personagem importante da campanha que neste ano retomou as origens para reafirmar o que está em jogo nesta disputa. A velha luta de classes que outro barbudo já anunciava.
Lula também fez um aceno às mulheres, com dados sobre combate à violência e espaço para a primeira-dama, Janja.
Como esperado, usou e abusou do slogan de que o Brasil pode mais, após apresentar uma lista de projetos prioritários aprovados ou em vias de serem aprovados, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 e a batalha pelo fim da escala 6x1.
Mesmo com tantas menções às origens, Lula e Flávio evitaram as cores que hoje dividem o eleitorado entre vermelhos e amarelos. Flávio optou por roupas cinzas, de terno, sem abusar das cores da bandeira sequestradas pelo pai. Lula foi de roupa branca e chapéu.
Quem forçou as cores foi outro candidato, o escritor Augusto Cury, que abraçou a Inteligência Artificial para mostrar um cenário pós-apocalíptico no Brasil e se apresentar como a alternativa capaz de conter a destruição. O vendedor de sonhos está on. Haja autoajuda até o fim da campanha.
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