Com maior patrimônio entre presidenciáveis, Cury defende criar 10 mil 'clubes de empreendedorismo'
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O escritor Augusto Cury ( Avante ), 67, cogitou concorrer à Presidência em 2010, mas recuou por reação da família e projetos em andamento. Retomou a ideia agora dizendo acreditar que "pior do que a ação dos maus e dos que se corrompem é a omissão dos bons e daqueles que têm algo a contribuir".
Com 2% das intenções de voto, segundo última pesquisa Datafolha , candidata-se sob o preceito de que o Brasil está "sequestrado" pelas famílias de Lula e Bolsonaro.
"Essa polarização que envenenou a nação brasileira e o mundo também, onde as famílias estão divididas, onde os casais não dialogam sobre política. As pessoas pouco discutem grandes ideias e ficam encasteladas nas suas verdades", diz.
Foi a ausência dos candidatos à frente das pesquisas eleitorais, somada à descoberta de que Lula concederia entrevista à TV Record no mesmo horário, que causou revolta ao escritor, segundo ele, na frente da Band, minutos antes do primeiro debate com presidenciáveis, quando protagonizou um "vai-não vai" . Por fim, decidiu participar falando "em respeito à democracia" e aos jornalistas.
Para a televisão, levou , ao estilo dos livros de autoajuda, frases de efeito, ao mencionar que professores "são cozinheiros do conhecimento, que não têm apetite em razão da intoxicação digital" e que "a vida é bela e breve como gota de orvalho".
Entre as suas propostas, destaca-se a defesa da criação de um Ministério do Empreendedorismo, com um "banco do empreendedor" oferecendo crédito de até R$ 20 mil a juros de 5% a 6% ao ano, e a implantação de 10 mil "clubes de empreendedorismo" em escolas, universidades e igrejas pelo país.
O Brasil já tem uma pasta federal com esse enfoque, criada em 2023 no governo Lula, o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, mas o plano de Cury não faz menção a essa estrutura já existente.
Dono de ao menos 14 propriedades rurais, segundo declarou à Justiça Eleitoral, define-se como um defensor do agronegócio. "Eu acho que eu sou o único candidato à Presidência do mundo que planta, que refloresta", afirma, citando plantações próprias de mogno africano, seringueira e eucalipto, além de projetos de citricultura e fruticultura.
O patrimônio total do candidato é de R$ 242.281.162,52, o maior entre os presidenciáveis. É reservado sobre a origem do valor: diz ter vendido, nos anos 2000, uma editora que fundou, por valor "dezenas de vezes" maior do que pagou por ela, negócio cujos recursos, afirma, foram reinvestidos no agronegócio. Diz ter fundado também empresas na área educacional, com mais de 400 mil alunos, depois vendidas.
"São vários projetos que vêm durante os anos. Eu não quero entrar muito detalhe, sou muito discreto nessa área. Eu não amo poder", diz.
Hoje se descreve como "o psiquiatra mais lido do mundo": diz ter vendido mais de 40 milhões de livros, publicados em 70 países.
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