A repercussão internacional da aprovação do fim da escala 6×1
O Senado brasileiro aprovou na quarta-feira, 14, por 75 votos a 1, a emenda constitucional que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salário.
A decisão repercutiu nesta quinta-feira, 15, na imprensa internacional.
Agências e jornais estrangeiros trataram a votação como um marco trabalhista, mas leram o resultado sobretudo pelo prisma eleitoral: um trunfo para Lula na reta final contra Flávio Bolsonaro (PL), que votou a favor depois de resistir à proposta.
O segundo turno será em 25 de outubro.
Pelo texto aprovado, a jornada cai para 42 horas em até 60 dias após a promulgação e chega às 40 horas um ano depois.
A promulgação deve ocorrer na semana que vem.
Reuters A agência classificou a votação como uma importante vitória legislativa para Lula, a menos de duas semanas do segundo turno.
Em reportagem, a Reuters ressaltou que a proposta recebeu apoio de todo o espectro político, inclusive de Flávio, que antes se opunha ao projeto por considerá-lo uma manobra eleitoral do governo.
Para a agência, a mudança é a maior reformulação dos direitos trabalhistas brasileiros em décadas.
Continua após a publicidade Associated Press A AP descreveu a aprovação como parte da ofensiva de Lula para ganhar terreno sobre Flávio.
Lembrou que, nos últimos dias, o presidente anunciou corte de impostos sobre combustíveis, prorrogação de subsídios e perdão de dívidas de microempresas, e que o fim da 6×1 é visto como o ponto alto desse pacote.
Continua após a publicidade A AP inseriu o caso brasileiro numa tendência regional.
O Chile aprovou em 2023 a Lei das 40 Horas, que vale para todos os trabalhadores cobertos pelo Código do Trabalho, sem redução de salário.
O México aprovou em fevereiro proposta da presidente Claudia Sheinbaum para baixar a jornada de 48 para 40 horas até 2030, e a Colômbia reduziu a sua para 42 horas.
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