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Canella prometeu trégua ao CV em troca de retirada de barricadas, diz PF

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Canella prometeu trégua ao CV em troca de retirada de barricadas, diz PF

A Polícia Federal aponta o ex-prefeito de Belford Roxo, na região metropolitana do Rio, e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), preso preventivamente nesta quinta-feira, 15, como o principal articulador político de um esquema suspeito de movimentar 7,6 bilhões de reais por meio de postos de combustíveis irregulares.

Segundo os investigadores, ele teria usado a influência política para emplacar aliados em cargos estratégicos da administração pública, favorecer interesses privados e garantir proteção institucional ao grupo, inclusive por meio de acertos com o crime organizado.

Tudo em troca de propinas.

As suspeitas estão descritas na representação enviada ao ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal (STF), na 8ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga as conexões do crime organizado com agentes públicos no Rio.

No documento, a PF descreve Canella como o “patrono político e articulador de alto escalão da organização criminosa”, responsável por estabelecer uma ponte entre o poder público, o núcleo empresarial do esquema e grupos armados.

A PF destaca os vínculos de Canella com Juracy Alves Prudêncio, o Jura, apontado como uma das principais lideranças da milícia Somos Comunidade.

Em 2019, quando exercia mandato de deputado estadual, Canella nomeou a mulher do miliciano, Giane Prudêncio, como assessora parlamentar.

Os investigadores também mencionam a nomeação de ex-vereadores investigados por supostas ligações com milícias para cargos na administração municipal de Belford Roxo.

Continua após a publicidade Os policiais federais tiveram acesso a áudios de conversas entre um capitão da Polícia Militar subordinado a Canella e lideranças do Comando Vermelho sobre a retirada de barricadas em Belford Roxo.

Segundo a PF, a prefeitura prometeu reduzir operações policiais em territórios dominados pelo tráfico em troca de autorização da facção para fazer obras de pavimentação que depois seriam usadas como plataforma eleitoral.

Outro braço da atuação atribuída ao ex-prefeito envolve sua influência na ascensão de Marcus Vinícius Amim Fernandes, ex-presidente do Detran-RJ e ex-secretário estadual de Polícia Civil.

Segundo a investigação, Canella capitaneou a indicação do delegado para os dois cargos e chegou a articular uma mudança na legislação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para flexibilizar os requisitos exigidos para sua nomeação.

Amim, por sua vez, é descrito como o operador institucional responsável por proporcionar blindagem policial às atividades do grupo.

Continua após a publicidade A influência política de Canella também teria sido usada para favorecer empresas ligadas ao grupo investigado.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.

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