Queda nas vendas no varejo restrito mostra esgotamento da demanda sob juros altos
A retração de 0,8% no volume de vendas do comércio varejista restrito em julho aponta para um cenário de esgotamento da demanda e sinaliza a desaceleração da economia no terceiro trimestre.
Segundo economistas, este dado corrobora ainda mais a avaliação do Comitê de Política Econômica (Copom) de uma decisão de corte de juros, esperada para a reunião da autoridade que acontece nesta terça (15) e quarta-feira (16).
A avaliação dos economistas é de que os efeitos da política monetária e do endividamento das famílias está afetando o nível de atividade, como mostrou também o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, com recuo de 0,4% no consumo das famílias.
Agora, chega mais um dado mostrando a retração da demanda.
Embora o indicador de varejo ampliado tenha registrado alta de 0,4% , impulsionado pelos setores de veículos e material de construção, o resultado geral consolida a perspectiva de moderação do consumo.
Volume de vendas no Varejo Período Varejo Restrito Varejo Ampliado Julho / Junho* -0,8 0,4 Média móvel trimestral* -0,1 -0,3 Julho 2026 / Julho 2025 1,2 1,8 Acumulado 2026 1,8 1,9 Acumulado 12 meses 1,6 1,2 *Com ajuste sazonal Fonte: PMC / IBGE Queda nas vendas e o peso das dívidas Matheus Pizzani, economista do PicPay, destaca que a queda nas vendas ocorreu em um período com fatores benignos para o comércio.
Houve recuo na inflação de alimentos, expansão de crédito na margem e crescimento da massa de rendimentos.
Segundo Pizzani, o recuo do consumo neste contexto sinaliza o peso do endividamento, indicando que mesmo com preços mais baixos não houve impulso na economia.
Leia também: BofA vê “fadiga” na atividade econômica e reduz projeção de PIB e Selic As atividades sensíveis ao crédito caíram 0,5% na margem , deixando um carrego negativo de 1,0% para o terceiro trimestre, avalia Alexandre Maluf, economista da XP.
Já os setores sensíveis à renda recuaram 0,2%, com carrego de -0,1%.
“A diferença entre os dois grupos é consistente com os efeitos defasados da política monetária contracionista sobre o crédito, mesmo com a renda do trabalho continuando a amortecer a queda do consumo”, afirma Maluf.
Os únicos avanços no índice restrito vieram de bens essenciais e de forma tímida, enquanto a demanda discricionária sofreu recuos consideráveis, como em móveis e eletrodomésticos (-4,9%) e vestuário (-3,2%).
“O dado de varejo reafirma os indícios de uma demanda enfraquecida na economia brasileira, com esgotamento tanto da renda quanto do crédito”, diz André Valério, economista sênior do banco Inter.
Para Leonardo Costa, economista do ASA, essa dinâmica confirma o enfraquecimento em categorias de consumo discricionário, sustentando uma leitura de “desaceleração gradual da economia”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.