Fux e Mendonça acusam PF de 'peitar ministro' e ser 'polícia paralela'
O ministro do STF Luiz Fux disse que a Polícia Federal não pode peitar ministros do Supremo. Ele foi acompanhado pelo ministro André Mendonça que acusou o órgão de agir de forma paralela para monitorar membros da corte. Fux rebateu o ministro Gilmar Mendes e disse que a Polícia Federal estava com "desvio de finalidade".
Fux argumentou que é ministro há 16 anos e nunca viu a polícia federal ir contra a autoridade de ministros do Supremo no Brasil. Ele lembrou que o decano Gilmar Mendes, no passado, chegou a pedir a demissão de um diretor da Polícia Federal por causa disso.
Fux é presidente da Segunda Turma e respondeu a uma acusação de Gilmar. O decano havia citado como "estranho" o julgamento na Segunda Turma sobre o afastamento do chefe da PF, Andrei Rodrigues. Na ocasião, o colegiado analisava a decisão de André Mendonça. Em resposta ao colega, Fux disse que a PF estava agindo contra o STF. "Eu nunca vi [como agora] a PF peitando ministros do Supremo", disse.
Eu nunca vi a Polícia Federal peitar o ministro Supremo do Brasil. Nós entendemos que aquilo representava uma anomalia e ia contaminar todos os julgamentos com relação a fatos graves noticiados e, mais ainda, criar ali uma agência própria que vai se dedicar à arapongagem contra ministro do governo federal. Luiz Fux, ministro do STF
Ninguém pode permitir que fique um órgão trabalhando com outro Supremo Tribunal Federal, peitando ministro do Supremo Tribunal Federal. Foi isso que aconteceu, ministro. Luiz Fux, ministro do STF
Temos hoje uma PF paralela. Uma PF paralela com monitoramento de ministros. André Mendonça, mnistro do STF
Os ministros do STF vivem clima de tensão no plenário de sessão extraordinária desta terça-feira. A corte analisa o caso envolvendo as conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vocaro .
Até o momento, os ministros analisam questões de ordem. Flávio Dino e Gilmar Mendes querem que o caso de Moraes e a suposta atuação irregular de Mendonça sejam analisados em conjunto.
Os ministros decidem se abrirão uma investigação contra Alexandre de Moraes. Primeiro, eles analisam o relatório da Polícia Federal que revelou conversas entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão foi convocada pelo presidente do Supremo. O ministro Edson Fachin decidiu restringir a pauta apenas ao caso de Moraes, deixando para 23 de setembro a análise de eventual conduta irregular atribuída a André Mendonça.
Esta é a primeira vez que a corte se reúne para deliberar sobre a abertura de inquérito contra um de seus membros . Ministros próximos a Moraes pressionavam pelo adiamento ou cancelamento da sessão extraordinária. O grupo argumenta que um pedido de apuração contra Mendonça deveria ser julgado conjuntamente na mesma data.
Horas antes do julgamento, diálogos de Vorcaro sobre outros ministros vazaram. Há conversas do ex-banqueiro com filhos de dois ministros da corte , Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, e um advogado próximo de um terceiro, Mendonça. As mensagens vieram à tona depois que o conteúdo do aparelho foi enviado aos gabinetes.
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