Estudo quer integrar IA e processos naturais para restaurar florestas
Para que a restauração florestal em larga escala seja efetiva, é preciso abandonar a ilusão de “reconstruir” ecossistemas como se fossem obras de engenharia e, em vez disso, focar em criar condições para a sua auto-organização.
É o que conclui um estudo publicado em setembro na revista Trends in Ecology & Evolution , que propõe o uso ético da inteligência artificial não para tentar desenhar a natureza, mas como uma ponte para integrar a intervenção humana aos processos naturais de regeneração.
A nova abordagem é proposta por pesquisadores do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical , um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão apoiado pela Fapesp e sediado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP).
O ponto de partida do artigo, assinado por Pedro Henrique Santin Brancalion e Marcelo P.L.
Medeiros , é uma crítica a uma concepção ainda comum de restauração: a ideia de que seria possível “reconstruir” uma floresta da mesma forma que se constrói uma infraestrutura, selecionando componentes e reunindo-os para produzir um sistema previamente planejado.
Embora o plantio de árvores seja uma ferramenta importante em determinadas situações, os autores ressaltam que uma floresta é muito mais do que a soma de várias árvores.
Sua biodiversidade, estrutura e funcionamento resultam de interações complexas entre plantas, animais, microrganismos, solo, água, clima e processos ecológicos que se desenvolvem ao longo do tempo.
“Restaurar florestas não é simplesmente plantar árvores, mas criar condições para que os ecossistemas recuperem sua complexidade.
A inteligência artificial pode ampliar nossa capacidade de compreender essa complexidade, mas não substitui os processos naturais nem elimina os limites da ação humana” , afirma Brancalion.
Essa complexidade também ajuda a explicar por que a regeneração natural pode desempenhar um papel fundamental na recuperação dos ecossistemas.
Em diversas situações, a recuperação de florestas nativas ocorre por meio da sucessão ecológica, na qual comunidades se reorganizam e desenvolvem gradualmente sua complexidade sem que todas as etapas sejam diretamente controladas pelos seres humanos.
Por isso, os autores propõem uma mudança de perspectiva: em vez de tentar controlar e reconstruir a natureza, a restauração deve permitir que os próprios processos ecológicos conduzam a recuperação dos ecossistemas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.poder360.com.br — o conteúdo pertence a Poder360.