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Economia

Dólar abre em baixa, a R$ 5, com IPCA, eleições e petróleo no radar

Por Redação 5News · · com informações de UOL Economia
Dólar abre em baixa, a R$ 5, com IPCA, eleições e petróleo no radar

Dólar fecha em queda nesta sexta-feira em meio a inflação acima do esperado e aposta em mudança política

A moeda norte-americana iniciou seu pregão desta sexta-feira em trajetória de baixa perante o real, mantendo a tendência de enfraquecimento que marca toda a semana. O dólar foi cotado para venda no segmento comercial a R$ 5,001, representando uma desvalorização de 0,46% em relação ao patamar do fechamento do dia anterior, quando havia alcançado R$ 5,024. Desde o início da semana, a moeda estrangeira acumulou uma queda mais expressiva, perdendo aproximadamente 3,6% de seu valor frente ao real. Na comparação semanal, o recuo foi particularmente relevante: a moeda começou a semana em patamares próximos a R$ 5,22, evoluindo até próximo dos atuais R$ 5,00.

Essa trajetória de enfraquecimento acompanhou momentos cruciais para o cenário político e econômico brasileiro. A euforia nos mercados locais iniciou-se após a realização do primeiro turno das eleições gerais, quando os resultados começaram a chegar indicando performances expressivas de candidatos da oposição tanto para as disputas legislativas quanto para o poder executivo estadual. Os operadores do mercado financeiro reagiram positivamente ao cenário de possível alternância de poder que se desenha no horizonte político do país.

A aposta do mercado em uma agenda fiscal mais rigorosa

A análise dos operadores aponta para uma aposta estratégica fundamentada em perspectivas de mudança de direção nas prioridades governamentais. De acordo com informações divulgadas, existe uma clara valorização do desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro pelo segmento de investidores, motivada pela expectativa de que esse candidato venha a implementar políticas mais restritivas quando o assunto é contenção das despesas públicas e, por conseguinte, a trajetória crescente da dívida estatal. Contudo, ressalta-se que até o momento em que essas informações foram divulgadas, o referido candidato ainda não havia apresentado detalhes técnicos de como pretende executar esses ajustes nas contas públicas, tampouco havia comunicado quais seriam os profissionais responsáveis por coordenar sua área econômica caso chegue a assumir o cargo.

Essa atmosfera de otimismo também refletiu-se no principal indicador da bolsa de valores do país. O Ibovespa, que funciona como termômetro do mercado acionário brasileiro na B3, registrou uma valorização de 0,94% no último pregão, encerrando o dia em 206.220 pontos. Esse patamar situa-se muito próximo da máxima histórica da série, a qual havia sido atingida na segunda-feira subsequente ao primeiro turno das eleições, quando o índice marcou 206.911 pontos. Essa proximidade com recordes históricos demonstra o apetite dos investidores por ativos brasileiros neste momento.

Inflação oficial traz preocupação para o mercado

Contrastando com o otimismo político-eleitoral, os dados de inflação ao consumidor trouxeram uma nota de preocupação para os operadores de mercado. O IPCA, que é o indicador utilizado como principal referência para o sistema de metas inflacionárias do país, apresentou uma leitura de setembro que surpreendeu os analistas. A variação mensal alcançou 1,16%, constituindo a maior leitura para um mês de setembro desde 2021. Quando observado o comportamento acumulado ao longo dos últimos doze meses, considerando o período de outubro do ano anterior até setembro deste ano, a inflação totalizou uma variação de 4,58%.

Esses números revestem-se de especial importância quando se considera o regime de metas que orienta a política monetária brasileira. O Banco Central, por meio de seu sistema de metas, estabeleceu que a inflação medida pelo IPCA deve ser mantida dentro de um intervalo de 1,5% a 4,5% ao ano. Dentro dessa faixa, existe um objetivo central que aponta para uma variação acumulada em doze meses de 3%. O resultado de 4,58% acumulado demonstra que o indicador encontra-se acima do objetivo central, embora ainda dentro do limite superior do intervalo estabelecido. Esses dados eram aguardados pelos participantes do mercado nesta sexta-feira e poderiam influenciar as estratégias de posicionamento nos ativos, particularmente aqueles relacionados à taxa de juros.

Dinâmica internacional oferece suporte aos mercados

No cenário internacional, os movimentos de preços das commodities energéticas também influenciaram o clima para os mercados desta sexta-feira. O petróleo, que é um ativo amplamente negociado nos pregões globais, registrou quedas relevantes, criando um ambiente mais favorável para os índices acionários ao redor do mundo. As bolsas internacionais começaram a apresentar sinais de recuperação nesta sexta-feira após registrarem quedas majoritárias durante os pregões anteriores.

A mudança de sentimento nos mercados internacionais foi alimentada por declarações provenientes de autoridades políticas dos Estados Unidos. O presidente norte-americano Donald Trump, em manifestação pública, afirmou que o Irã não seria alvo de operações militares antes da realização das eleições presidenciais norte-americanas, agendadas para novembro. Essa declaração funcionou como catalisador para o recuo observado nos preços do petróleo, refletindo avaliações sobre redução de risco geopolítico e consequente diminuição de prêmios de risco embutidos nos preços das commodities energéticas.

Contexto: como funcionam os mecanismos de mercado

Para compreender plenamente os movimentos observados nesta sexta-feira, é importante contextualizar alguns dos mecanismos que regem o funcionamento dos mercados financeiros brasileiros e internacionais. A taxa de câmbio entre o dólar e o real é determinada pela dinâmica de oferta e procura, sendo amplamente influenciada pelas perspectivas econômicas, diferenciais de taxa de juros entre países, fluxos de investimento externo e expectativas inflacionárias. Quando investidores externos desenvolvem perspectivas positivas em relação ao Brasil, tendem a aumentar sua demanda por ativos denominados em reais, reduzindo a demanda relativa por dólares para proteção ou conversão, o que resulta em enfraquecimento da moeda norte-americana.

O IPCA, mencionado anteriormente, representa o índice de preços mais utilizado para orientar a política monetária brasileira justamente porque procura captar as variações de custo para as famílias brasileiras em seu consumo cotidiano. O Banco Central utiliza esse indicador para avaliar se sua política de juros está sendo suficiente para manter a inflação sob controle. Quando a inflação apresenta-se acima das metas, a autarquia tende a elevar suas taxas de juros para desestimular o consumo e investimento, buscando reduzir a demanda agregada e consequentemente as pressões inflacionárias. Inversamente, quando a inflação encontra-se abaixo dos objetivos, o BC pode ser levado a reduzir as taxas.

O Ibovespa, por sua vez, é construído como um índice ponderado que reflete o desempenho das maiores empresas listadas na bolsa brasileira, servindo como proxy para o sentimento geral dos investidores em relação à economia e ao mercado de ações do país.

Movimentações em ações e operações corporativas

Além dos movimentos macroeconômicos, esta sexta-feira também foi marcada por anúncios e desempenhos de empresas brasileiras. A construtora Cury divulgou informações preliminares sobre seus resultados operacionais no terceiro trimestre do ano. A companhia registrou uma geração de caixa operacional que superou em 8,8% o desempenho do mesmo período do ano anterior, atingindo a cifra de R$ 253,6 milhões. Apesar do resultado positivo, as ações da companhia registraram uma queda de 2,5% em sua cotação, fechando o pregão anterior a R$ 31,48. Esse movimento demonstra que nem sempre a divulgação de bons resultados operacionais traduz-se imediatamente em valorização acionária, pois as expectativas de mercado já podem ter precificado o desempenho da empresa.

A Profarma, empresa do setor farmacêutico, solicitou junto aos órgãos reguladores competentes o registro para proceder à emissão de títulos de dívida no valor de R$ 300 milhões. Esses valores mobiliários, conhecidos como debêntures, serão emitidos em uma única série e contarão com garantia real, provendo maior segurança aos investidores. Diferentemente da Cury, as ações da Profarma registraram uma valorização de 2,3%, encerrando o pregão anterior a R$ 9,06.

No segmento de transporte aéreo, a Latam Airlines recebeu uma remessa importante em sua frota. A companhia aérea recepcionou seu primeiro exemplar do modelo E-Jet Embraer E195-E2, aeronave de fabricação brasileira produzida pela Embraer. A cerimônia de recepção ocorreu nas dependências da fabricante, localizada em São José dos Campos, no estado de São Paulo. Conforme informações divulgadas, a operação comercial desses aeronaves pela Latam está prevista para ter início no mês de novembro.

O que acompanhar

As próximas semanas serão determinantes para confirmar se a trajetória de enfraquecimento do dólar frente ao real permanecerá sustentada ou se sofrerá reversões. Será importante monitorar os anúncios de candidatos a respeito de suas propostas econômicas e definições de equipes econômicas, informações que poderão refirmar ou questionar a aposta atual do mercado. Igualmente relevante será acompanhar os próximos indicadores econômicos, particularmente futuras leituras inflacionárias, que determinarão se o Banco Central necessitará ajustar sua política de juros. No cenário internacional, desenvolvimentos relacionados às relações entre Estados Unidos e Irã permanecerão no radar dos investidores, potencialmente influenciando os preços das commodities energéticas e, consequentemente, a dinâmica dos mercados globais.

Principais pontos:

• O dólar abriu em baixa a R$ 5,00, acumulando redução de 3,6% na semana após resultados eleitorais que favoreceram a oposição

• Inflação de setembro atingiu 1,16%, maior para o mês desde 2021, com acumulado de 12 meses em 4,58%, acima da meta central do Banco Central

• Mercado aposta em políticas mais rigorosas de controle de gastos, impulsionando o Ibovespa a patamares próximos ao recorde histórico de 206.911 pontos

• Latam receberá aeronaves Embraer E195-E2 com operações previstas para novembro, enquanto Profarma e Cury divulgam movimento de resultados corporativos

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de UOL Economia — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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