'Vingança', diz Moraes sobre relatório apresentado por Mendonça
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), enviou uma manifestação ao tribunal negando irregularidades e classificando como "farsa" e "vingança" as suspeitas de favorecimento ao Banco Master.
O plenário do STF julga nesta terça-feira (15) se abre uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A análise ocorre após o vazamento de um relatório da Polícia Federal envolvendo o banqueiro Daniel Bueno Vorcaro.
Moraes classificou o relatório policial como uma "farsa" com objetivos eleitorais. Em manifestação de 44 páginas, o ministro declarou: "Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal".
O magistrado afirmou que nunca ajudou o Banco Master ou Vorcaro. Moraes destacou que "nada ocorreu" e que os milhares de documentos da Operação Compliance Zero não trazem indícios de crimes de sua parte.
O ministro negou a autoria de qualquer mensagem de favorecimento no celular do banqueiro. "Não há nenhuma, absolutamente nenhuma mensagem de autoria do ministro Alexandre de Moraes que indique qualquer consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de qualquer operação policial", escreveu ele.
O magistrado sustenta que a própria prisão de Vorcaro prova que não houve vazamento. Moraes disse que "não é lógico, razoável e plausível" falar em vazamento, já que o suspeito foi preso com celular e passaporte tentando embarcar no aeroporto.
O ministro do STF argumenta que a apuração iniciada pelo colega André Mendonça é ilegal. Moraes declarou que, "de maneira absolutamente inconstitucional e ilegal, o ministro relator determinou, de ofício, a realização de atos de investigação em relação a um ministro da Corte".
As investigações apuram um contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório da esposa de Moraes. O escritório de Viviane Barci de Moraes confirmou que o ministro fez revisões pontuais apenas para verificar se havia conflitos de interesse, sem qualquer irregularidade.
Alexandre de Moraes acusa André Mendonça de direcionar ilegalmente a investigação sobre o Banco Master para criar uma 'farsa incriminatória' com finalidade político-eleitoral. A defesa enviada por Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF) tem 44 páginas.
Moraes usa 26 vezes a palavra "ilegal" para se referir à atuação de Mendonça no caso. Ele afirma que o colega ignorou alternativas para explicar conteúdos encontrados no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e selecionou a hipótese que lhe convinha.
Moraes também afirma que nunca atuou no STF em processos envolvendo o Banco Master ou o escritório de sua mulher, Viviane Barci. Ele sustenta que a Operação Compliance Zero levou à prisão de Vorcaro sem indícios de vazamento de informações.
Na defesa, Moraes diz que Mendonça conhecia desde 18 de maio a menção a seu nome no caso Master. Segundo ele, o então relator não enviou o processo ao plenário e escolheu um momento próximo às eleições presidenciais e ao 7 de Setembro para, segundo Moraes, "produzir sua farsa".
Moraes pretende pedir ao presidente do STF que ouça testemunhas sobre reuniões com Mendonça.
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