Como o pai, Flávio Bolsonaro promete repetir cortes na educação
Com o objetivo de seguir o modelo adotado por Jair Bolsonaro (PL) na presidência, a equipe de Flávio já anunciou que, em caso de vitória nas eleições presidenciais, vai promover cortes na educação, o que prejudicará, sobremaneira, o setor.
Em 2022, Beatriz Zeballo, de 20 anos, moradora de Sapopemba, distrito da zona leste de São Paulo, foi obrigada a trancar o curso de Filosofia, na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por dificuldades financeiras.
Primeira pessoa da família a cursar uma universidade, ela precisava trabalhar para ajudar nas despesas domésticas e não conseguia arcar com os custos de transporte.
Na mesma instituição, Helen Cardoso, de 23 anos, também precisou interromper o curso de Direito por não conseguir pagar moradia e alimentação.
Ambos os casos, relatados pelo UOL em agosto de 2022, ilustram bem as dificuldades enfrentadas, à época, por estudantes de baixa renda para permanecer no ensino superior.
Os dois exemplos remetem a maio de 2022, quando governo Jair Bolsonaro determinou bloqueio de R$ 3,23 bilhões no orçamento do Ministério da Educação, equivalente a 14,5% das despesas discricionárias da pasta e das unidades vinculadas.
No mês seguinte, levantamento divulgado pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) apontou que 88% das universidades federais haviam sofrido perdas orçamentárias relevantes.
Entre 2016 e 2021, nos governos Michel Temer e Bolsonaro, as verbas discricionárias das universidades federais tinham caído de R$ 7,6 bilhões para R$ 4,7 bilhões.
Em outubro de 2022, o governo anunciou outro bloqueio, de R$ 2,4 bilhões na educação, posteriormente revertido após pressão de universidades e estudantes.
A restrição de recursos também afetou estudantes que dependiam de auxílios para continuar os estudos.
Naã Santos, estudante quilombola de Medicina, na Universidade Federal do Sul da Bahia, relatou ter contraído dívidas após ficar três meses sem receber bolsa-permanência de R$ 900, em 2019.
Dificuldade de permanência Além das restrições orçamentárias, a redução da renda familiar levou estudantes a abandonar, temporariamente, a universidade para trabalhar.
Karen Rodrigues, de 19 anos, havia ingressado no curso de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (USP) por meio das cotas raciais.
Após a redução da renda familiar, o auxílio-permanência de R$ 500 tornou-se insuficiente.
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