Delegado vê excesso no uso da força e prende PM que matou mulher em SP
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O delegado responsável pela investigação da morte de Camila Pereira da Silva, 32, baleada por um policial militar durante uma abordagem em Pirituba, na zona norte de São Paulo, apontou excesso doloso no uso da força e determinou a prisão em flagrante do agente. No boletim de ocorrência, a autoridade afirma que, no momento do disparo, a mulher não fazia movimentos de ataque contra os policiais.
A avaliação foi baseada em um vídeo da ocorrência, que mostram a mulher andando com braços para baixo. Segundo o boletim, o delegado teve acesso a imagens que circulavam em um aplicativo de mensagens e foram anexadas à investigação. Na análise registrada no documento, Camila estava a vários metros dos policiais, com os braços baixos, sem levantar a faca ou fazer um movimento súbito de ataque quando foi atingida.
O delegado questionou a necessidade do disparo. O documento afirma que o uso de arma de fogo por agentes de segurança deve ser considerado último recurso e que a legítima defesa exige o emprego moderado dos meios necessários. Para a autoridade policial, mesmo que a mulher estivesse se aproximando da equipe, o deslocamento com uma faca nas mãos, sem gesto ofensivo, não caracterizaria, por si só, uma agressão iminente que justificasse um disparo letal.
A decisão também aponta falta de uso progressivo da força. Segundo o delegado, os policiais passaram diretamente da arma apontada para o disparo, sem utilizar outros meios de contenção. A autoridade considerou que a reação foi desproporcional e determinou a prisão em flagrante do soldado André Coelho Maximo da Costa, responsável pelo tiro. O documento ressalva que a análise é preliminar e não representa uma conclusão definitiva sobre a culpa do policial.
PMs disseram que Camila avançava com uma faca. Nos depoimentos, os policiais afirmaram que a mulher caminhava em direção à equipe armada com uma faca e não teria obedecido às ordens para parar e largar o objeto. O soldado André declarou que recuou enquanto tentava manter distância, mas encontrou um caminhão que limitou seu deslocamento. Segundo a versão dele, nesse momento efetuou um único disparo contra Camila.
O boletim de ocorrência não apresenta avaliação médica que confirme que ela estivesse em surto no momento da abordagem. O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa. O soldado André Coelho Maximo da Costa vai passar por audiência de custódia na tarde de hoje.
O ex-companheiro de Camila não presenciou o tiro. O homem, que havia terminado o relacionamento com Camila cerca de cinco meses antes, relatou à polícia que ela teria ido à sua residência com uma faca e o ameaçado. Ele afirmou que fugiu do local e que, mais tarde, ouviu uma ordem policial e o disparo, mas não viu a abordagem nem o momento em que a mulher foi baleada.
Câmeras corporais também são investigadas. O boletim informa que os policiais envolvidos utilizavam câmeras corporais e que a Polícia Civil solicitou os arquivos das gravações. A investigação também requisitou exames necroscópico e toxicológico, além de outros procedimentos periciais.
Camila enfrentava problemas graves de saúde.
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