As estratégias de Ricardo, Pazolini e Helder na estreia no rádio e na TV
De acordo com a mais recente pesquisa da Quaest para a Rede Gazeta , o governador Ricardo Ferraço (MDB) lidera a corrida para o Palácio Anchieta, com 35% das intenções estimuladas de voto. O ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Rep) está em segundo, com 28%. Nesta sexta-feira (28), na estreia dos candidatos na propaganda de rádio e TV, os dois pintaram cenários diametralmente opostos ao falar do Espírito Santo. Um desavisado pensaria se tratar de dois estados diferentes.
Ricardo apresentou um Espírito Santo que nos últimos anos acumulou conquistas no campo econômico e no social; um estado “respeitado e admirado no Brasil inteiro”, onde “o futuro já começou” e “se mostra todos os dias”. Pazolini, por sua vez, exibiu um Espírito Santo desigual, onde “o resultado não chega para todos”; um estado com problemas em áreas sociais, onde não é possível “pensar no futuro”, já que “falta tranquilidade no presente”.
A julgar pela campanha de Ricardo, temos um estado sem problemas; a se fiar na de Pazolini, problemas são tudo o que existe.
Enquanto isso, em terceiro lugar na última Quaest (10%), Helder Salomão (PT) concentrou-se em se apresentar, contando sua história de vida e destacando as origens humildes. Na primeira oportunidade, exibiu no rádio e na TV a fala de Lula, ao seu lado, com o presidente lhe declarando apoio e pedindo votos para ele. Reforçou, assim, a estratégia de associação total com a imagem e a campanha do líder maior do PT.
Falando em associação, Casagrande foi coprotagonista da première de Ricardo no horário eleitoral. No programa de rádio, o ex-governador falou antes do próprio Ricardo, que só entrou mais perto do fim para dizer seu texto com Casagrande. Na TV, os dois se alternaram na tela, em várias locações pelo Estado, em diálogo sobre as realizações do governo Casagrande, herdado por Ricardo. Mostraram perfeita sintonia.
Assim, confirmou-se de cara que a estratégia será mesmo a de investir numa campanha casada, visando à transferência de capital político de um para o outro. Uma campanha na qual Casagrande se apresentará como maior cabo eleitoral de Ricardo e o apresentará como seu sucessor, seu candidato, seu parceiro e guardião do seu legado.
Os programas de rádio e TV de Ricardo seguiram a mesma base, mas diferiram no formato. O de rádio foi bem mais informal, com boa parte do tempo ocupada por um jingle sertanejo, sempre visando sublinhar o vínculo entre ele e seu antecessor: “Casagrande deixa uma história guardada no coração / E agora passa adiante mais que uma missão / Ricardo leva com você o mesmo carinho, a mesma paixão / O mesmo carinho, o mesmo coração”.
O nome da coligação de Ricardo é “Agora é o Futuro” (curiosamente, inversão de um verso do refrão do jingle de Paulo Hartung em 2014: “O futuro é agora”). Tanto no rádio como na TV, locutores iniciam o programa com reflexões em torno da ideia de “futuro”, lançando mão de conceitos como “sonhos” e “esperança”. “O que é o futuro?”, filosofam.
Em seguida, dizem que “o amanhã vai ser ainda melhor”, pois, no Espírito Santo, “o futuro já começou” e “já se mostra todos os dias”.
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