A Lua pode ter surgido inteira em poucas horas após uma colisão colossal: novas simulações mudam a imagem de uma formação lenta
Estudo publicado em 2026 mostra como a temperatura e a resistência das rochas podem permitir que uma colisão planetária forme a Lua em apenas cinco horas
A formação da Lua pode ter acontecido muito mais rapidamente do que se imaginava. Simulações publicadas em setembro de 2026 mostram que uma colisão entre a Terra primitiva e o protoplaneta Theia poderia produzir um satélite praticamente inteiro em cerca de cinco horas. A descoberta indica que a temperatura e a resistência das rochas são fatores decisivos para compreender a origem lunar.
A hipótese mais conhecida sobre a origem lunar envolve uma colisão gigantesca ocorrida há aproximadamente 4,5 bilhões de anos. Nesse cenário, um corpo celeste de dimensões semelhantes às de Marte, chamado Theia, atingiu a Terra ainda em formação. O impacto lançou enormes quantidades de material ao espaço, criando um disco de fragmentos que posteriormente se reuniria para formar a Lua.
Entretanto, pesquisadores do Southwest Research Institute (SwRI), em colaboração com cientistas da Universidade do Arizona, descobriram que esse processo pode apresentar resultados muito diferentes. Quando a resistência física das rochas é considerada, determinadas colisões produzem um satélite intacto em poucas horas, sem exigir a formação gradual a partir de um grande disco de detritos.
O estudo utilizou simulações computacionais capazes de representar o comportamento dos materiais durante impactos planetários extremos. Diferentemente de modelos que tratavam os corpos principalmente como fluidos sem resistência ao cisalhamento, a equipe incorporou propriedades mecânicas das rochas, incluindo alterações provocadas pela temperatura. Essa abordagem permitiu investigar como Theia se deformaria ao atingir a Terra primitiva.
Os resultados mostraram que determinadas condições produzem uma Lua praticamente inteira cerca de cinco horas depois da colisão. Em outros cenários, o impacto destrói grande parte de Theia e gera um disco de material que precisaria se acumular posteriormente. A diferença demonstra como as condições iniciais podem alterar profundamente o resultado.
O vídeo da NASA, New Supercomputer Simulation Sheds Light on Moon’s Origin, apresenta uma simulação anterior, publicada em 2022, que também produziu uma Lua em poucas horas. Ele ilustra a formação rápida, mas não os novos testes de resistência dos materiais realizados em 2026.
A temperatura interfere diretamente na resistência dos materiais. Rochas mais quentes geralmente apresentam menor resistência à deformação, enquanto materiais mais frios podem suportar tensões maiores antes de se romperem. Em uma colisão planetária, essas diferenças alteram a maneira como energia e movimento são transferidos entre os corpos.
Nas simulações, uma Theia quente, mas ainda sólida, conseguiu preservar material suficiente para originar um satélite coerente. Já uma Theia mais fria e resistente produziu, em determinadas condições, o disco de detritos previsto nos modelos tradicionais. O resultado sugere que o estado térmico dos planetas pode determinar não apenas como a Lua surgiu, mas também quando a colisão aconteceu.
A investigação foi liderada pela cientista C.
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